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A difícil vida dos médicos - por Luis Nassif

07/12/2010

A difícil vida dos médicos

via Luis Nassif Online de luisnassif em 07/12/10

 

Coitados dos médicos. Se nem um preso é obrigado ao trabalho, imagine eles que, se formados em instituições públicas, são submetidos a um regime de quase escravidão desde o pré-vestibular.

Depois de 6 anos estudando quase o dia inteiro, mais 3 ou 5 anos de residência trabalhando com subpreço - quase de graça - para o SUS, sem proteção da CLT, absolutamente a semana inteira, ainda vai ter que levar um calvário no interior para pagar os pecados aos 30 anos, idade de colocar os filhos em boas escolas, se arriscando em hospitais de péssimos recursos, e com medo natural que o recém-formado tem de perder o CRM no primeiro engano.

Não é à toa que as pesquisas indicam que essa é a classe profissional com maior quantidade de deprimidos. E se uma solução dessa vier, o índice deve aumentar, ou então beneficiar o mercado daquelas faculdades pagou-passou, e que só precisam de um empurrãozinho legal para começar a captar os estudantes das escolas públicas.

Concordo que a medicina virou "negócio", ou seja, que está mercantilizando, e isso é terrível. Mas eles também respondem a ofertas. O estado é o maior empregador. Depois vem a Unimed, em que cerca de 80% dos médicos do país trabalham. Esta não vai interiorizar adequadamente porque tem a lógica do lucro, e o mercado consumidor e os equipamentos instalados já estão nos grandes pólos, bem mais lucrativos.

Também não há como conter a mercantilização quando se aceita intermediários não sujeitos aos estatutos de ética. Quem recebia incríveis quatro reais por consulta dos consumidores dos planos de saúde na década de 90 teve que arrumar uma maneira de ampliar a escala, ou então fechar para manter a ética.

Toda conversa de médicos que eu ouço passa a sensação de que ir para o interior é uma aventura do tamanho de integrar os Médicos Sem Fronteiras. Ninguém quer arriscar a carteira profissional trabalhando em um lugar sem estrutura de equipamentos, sem medicamentos usuais, e sem uma equipe de apoio com outros especialistas. Isso porque um processo atualmente vem fácil (e ainda quando inocente, o próprio processo é penoso), e a mídia julga como "erro médico" até quando a enfermeira injeta o remédio errado - e o judiciário acata parcialmente essa postura de que o médico é sempre opressor, e o trabalhador sempre oprimido.

Uma solução realista seria escolher algumas cidades com baixa organização do sistema de saúde para instalar pólos de excelência, com hospitais bem estruturados, garantia de estoques de medicamento, e condições tributárias tão ou mais vantajosas do que a zona franca de Manaus, incluindo o IR dos médicos. Acho que se podemos destributar para produzir TV, para produzir saúde, mais ainda.

Além disso, um mínimo de organização territorial, que já existe até para o exército, mas não para a medicina. Tem de haver pelo menos um centro público de excelência comparável ao Hospital das Clínicas de São Paulo em cada região. Chega a ser vergonhoso fazer uma pessoa gastar mais de mil quilômetros de viagem para conseguir chegar a um especialista que só existe aqui. Fora isso, um plano de carreira é mesmo o ideal. A magistratura certamente não teria tantos membros no interior se não fossem obrigados pela própria carreira.

 

 

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