Logo Escolas Médicas

Artigos & Matérias

EXAMES COMPLEMENTARES NA MEDICINA - Dr. João Carlos Simões

24/09/2012

 

 

EXAMES COMPLEMENTARES NA MEDICINA

 

 “A maneira mais rápida e efetiva de um médico se livrar de um determinado paciente e mascarar sua incompetência é elegantemente solicitar um (qualquer) exame complementar ou impor-lhe rapidamente uma receita na mão.”           (Lysandro Santos Lima)

 

O MÉDICO deve ter sempre em mente que nenhum resultado laboratorial deve substituir um exame clínico completo, nem contrariar um raciocínio médico correto.

É pertinente e importante a discussão crítica sobre o tema da solicitação exagerada e sem critérios de exames complementares nos hospitais e ambulatório e o impacto sobre a economia do sistema de saúde do País.

Escreveu o prof. Jesus Camargo da UFRGS: “as nossas Escolas de Medicina tem reconhecidamente aumentado o aporte de conhecimentos técnicos aos seus graduandos e residentes, mas, lamentavelmente, se omitido na missão indispensável e intransferível de ensinar a arte de ser médico”.

Os Hospitais Universitários se cercam do tecnicismo e os diagnósticos têm sido mais corretos. Mas será que houve em contrapartida uma análise crítica e justificável para este volume exacerbado de pedido de exames de rotina e de imagem que são feitos?

O pedido de ultrassom, TC e RNM, substituindo a anamnese, o exame físico completo, o exame ginecológico e toque retal. Em um paciente com apendicite aguda não haveria necessidade de se pedir um hemograma ou, mais absurdamente, uma ecografia. Ou ainda, solicitar um tempo de atividade de protrombina para se fazer a anestesia, sem uma indicação muito precisa.

Os usuários dos planos de saúde e de alguns Hospitais são motivados pela propaganda, que só valoriza os exames mais sofisticados e de vanguarda e não pelos profissionais mais competentes com mais tempo, ética e humanismo para examinar os seus doentes.

Este tecnicismo dos tempos atuais deveria ser usado com muito critério sob pena de acontecer o que se passa com o custo da saúde nos Estados Unidos que destina mais de $ 3.000 dólares/ano/habitante e que teve de reformular o seu sistema de saúde devido ao abuso de tecnologia e do seu alto custo.

O médico não pode se transformar em “gigolô” da máquina! E a máquina não pode ser valorizada mais que o médico. As sociedades de especialidades e vários hospitais universitários já estabeleceram diretrizes e protocolos, definindo os exames e procedimentos realmente necessários para cada doença, tornando ótimo os seus custos.

Estas sociedades e Hospitais avaliariam o impacto de cada novo procedimento ou avanço tecnológico, definindo a relação custo/benefício e advertindo os maus profissionais que praticam abuso perante o SUS e os planos de saúde.

O pedido de exames complementares faz a fila do serviço do SUS e de convênios andar mais rápida. E a formação inadequada do médico faz com que ela peça uma quantidade exagerada de exames pelo uso de medicina defensiva para se proteger de um possível erro médico, por falta de preparo e de confiança em si, por pressa ou para atender um número maior de pacientes para compensar a desvalorização da consulta.

Muitos exames complementares são solicitados sem critério, de modo inadequado e indiscriminado, não atendendo ao princípio fundamental que é o de esclarecer o diagnóstico. Isto tem se agravado pelo aparecimento de novos e fascinantes métodos diagnósticos que encanta os médicos nóveis gerando a falsa sensação de estar praticando uma medicina moderna, eficiente e segura, quando na realidade, trata-se de uma medicina desvirtuada, sem lógica e sem respeito ao paciente.

Dr. Maksoud sensível cirurgião pediátrico acrescentou que uma maneira sensata de se verificar a validade e adequação de exames é tratar de responder às seguintes indagações, que servem como instrumento verdadeiro de autocontrole:

a.       Este exame é realmente indispensável?

b.      Este exame exprime efetivamente o que se pretende investigar?

c.       O exame é importante para o diagnóstico, prognóstico, estadiamento e estabelecer ou alterar determinada conduta?

d.      O exame irá mostrar algum dado que já conheço ou que não possa ser esclarecido por um exame menos invasivo, mais simples ou pelo exame físico?

E, eu acrescentaria: você pediria este exame para seu paciente particular, para sua mãe, seu pai, sua irmã ou seu filho?

Assim, acredito que a maioria das vezes, os exames são solicitados por insegurança, facilidade, modismo, sociopatia, por querer agradar o paciente, ou porque é o SUS, o Hospital ou o plano de saúde que vai pagar a conta!

 

Dr. João Carlos Simões

Editor Científico da Revista do Médico Residente

 

 

EXAMES DE ROTINA NO PRÉ-OPERATÓRIO: QUAIS SÃO REALMENTE NECESSÁRIOS?

 

Os exames laboratoriais de rotina devem ser solicitados baseados nos aspectos individuais do paciente, do tipo e porte da cirurgia, do estado geral do paciente e principalmente dos dados obtidos da anamnese e exame físico completo.

A solicitação indiscriminada de exames bioquímicos pré-operatório descobre um pequeno número de doenças que resultam em falsos positivos, aumentando os custos e riscos para o paciente.

Várias referências na literatura procuram discriminar a relação risco-benefício dos diferentes exames laboratoriais no pé-operatório. As principais recomendações são:

Pacientes assintomáticos – ASA I

1 – Hemoglobina e Hematócrito

·          Mulheres em idade fértil.

·         Suspeita de anemia.

·         Todos os pacientes acima dos 60 anos.

·         Cirurgias que se espera ou envolvem grandes perdas sanguíneas.

·         Pacientes que receberam tratamento de quimioterapia e Radioterapia (incluir Leucograma e contagem de plaquetas)

2 – Glicemia

·         Todos os pacientes acima de 65 anos.

3 – Creatinina

·         Todos os pacientes acima de 65 anos.

3 – Eletrocardiograma

·         Homens acima de 40 anos.

·         Mulheres acima de 50 anos.

4 – Estudo radiológico do tórax

·         Homens e mulheres acima de 65 anos.

5 – Teste de gravidez

·         Mulheres em idade fértil e com vida sexual ativa.

Os exames tem validade de seis meses e o eletrocardiograma vale por um ano.

Pacientes com doenças associadas – ASA II, III, IV e V.

Individualizar o tipo da doença

Doença cardiovascular:

·         Eletrocardiograma (ECG), radiografia do tórax, creatinina, ecocardiograma.

·         Em casos de coronariopatia, fazer teste de esforço, cineangiocoronariografia, ecocarfiograma de estresse.

Diabetes:

·         Eletrocardiograma, eletrólitos, creatinina, hemoglobina.

Doenças oncológicas e tratamento com quimioterapia e radioterapia:

·         Hemoglobina, contagem de plaquetas.

·         Creatinina – nos pacientes tratados com cisplatina

Doenças hematológicas:

·         Hemoglobina, tempo de protrombina (TAP), tempo de tromboplastina parcial (PTT), contagem de paquetas, TS e TC.

 

Doenças hepáticas:

·         Hemoglobina, Transaminases, albumina, TAP e TPP.

Doenças renais:

·         Hemoglobina, eletrólitos, creatinina, ECG.

·         .

Doença Pulmonar:

·         Radiografia do tórax, hemoglobina, prova de função pulmonar com p02 e pCO2, ECG.

Tabagista com mais de 20 maços por ano:

·         Hemoglobina, radiografia do tórax.

·         Pacientes que serão submetidos à cirurgia torácica ou abdome superior deverão ter provas de função pulmonar.

Pacientes usuários de:

·         Diuréticos: eletrólitos, creatinina.

·         Digoxina: eletrólitos, creatinina, ECG.

·         Esteróides: eletrólitos, glicemia.

·         Anticoagulantes: Hemoglobina, TAP e PTT.

Pacientes com coronariopatia e insuficiência cerebrovascular devem manter hematócrito acima de 30%.

 

REFERÊNCIAS:

 

1.     Fong J. Preanesthetic assessment of the patient with coagulopathies. Anestesiology Clin North Am 1990; 8:829-833.

2.     Mendes FF, Mathias LAST, Duval Neto GF et al — Impacto da implantação de clínica de avaliação pré-operatória em indicadores de desempenho. Rev Bras Anestesiol, 2005;45:175 - 187.

3.     Pollard JB — Economic aspects of an anesthesia preoperativeevaluation clinic. Curr Opin Anaesthesiol, 2002;15:257-261.

4.      Pasternak LR — Preoperative evaluation, testing, and planning. Anesthesiol Clin North Am, 2004;22:XIII-XIV

 

 

 

 

 

 

 

enviar para amigo >>  
compartilhe >>
voltar

deixe sua opinião

Médicos, Residentes, Professores, Coordenadores de Escolas Médicas

clique aqui

Estudantes,
Acadêmicos de Medicina

clique aqui

NEWSLETTER

Nome:
Email:
Banner

EscolasMedicas.com.br © 2010

Logo Hidea