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Humanização no curso de Medicina - J. C Simões

16/01/2013

                                           HUMANIZAÇÃO NO CURSO DE MEDICINA

                                                                                                             

“First the patient, second the patient, third the patient, fourth the patient, fifth the patient, and then maybe comes science."

Bela Schick (1877 - 1967)
Aphorisms Facetiae of Bela Schick

A preocupação com a humanização da medicina e, especialmente, com o ensino da prática dos estudantes de medicina,  está sempre presente nos hospitais e nos cursos de medicina. Pragmaticamente, o que se discute, é como conduzir este processo de uma forma natural e como conduzi-la sistematicamente.

A interação entre o estudante e o paciente tem que extrapolar o aspecto formal, técnico ou puramente acadêmico. É seminal entender que essa relação humana deve ser respeitosa, com vínculo e responsabilidade. Os estudantes não devem esquecer, jamais, que  a medicina é fundamentalmente uma ciência humana.

 O médico vocacional deve gostar das pessoas e, como já disse o professor Adib Jatene, deve ser, primeiro, especialista em gente. A medicina também se utiliza dos progressos tecnológicos das ciências biológicas para atingir este fim humanista. O médico com formação humanista não só é um médico melhor como também uma pessoa sensível.

 O humanismo é uma das grandes virtudes do ser humano e uma ferramenta de trabalho das profissões que lidam com a dor e o sofrimento humano. A compaixão precisa ser ensinado na teoria e na prática, da mesma maneira como  se ensina fazer uma anamnese e um exame físico completo.

 Começa na maneira de acolher o paciente pela primeira vez, no toque das mãos ao cumprimentá-lo, chamando-o pelo nome, na afetividade e humildade do olhar e das palavras. Na compreensão da fragilidade do doente. No respeito ao pudor. No reconhecimento que as palavras do médico podem ferir mais que um bisturi. Na paciência das explicações necessárias e se despindo, completamente, de reconhecimento ou de favorecimento pecuniários extraordinários. Repudiando a pressa maligna!

O estudante de medicina competente é, sempre aquele, que escuta o paciente atenciosamente e que valoriza suas queixas, sem subestimá-las.

 Reputo como, absolutamente necessário, que preceptores e professores do curso de medicina devem se dedicar a  ensinar a compaixão como o elo mais importante da relação médico-paciente e como o remédio mais barato e eficiente. Ela é a base do humanismo da medicina contemporânea.

João Carlos Simões

Editor Científico da Revista do Médico Residente do CRM PR

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