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O PRECEPTOR DE RESIDÊNCIA MÉDICA: ESTA FIGURA (IN)DISCUTÍVEL

15/02/2013

Medical Residency Preceptor: (un) questionable figure.

                                                      “I taught medical students in the wards”.

                                                                            (Epitáfio de William Osler)

 

Modifiquei o título acima de uma publicação do saudoso professor emérito da Universidade de São Paulo, Ernesto Lima Gonçalves, na qual fazia considerações sobre o desempenho e avaliação do professor de medicina, escrita nos cadernos do CEDEM, e assim, também o preceptor da residência médica é no mínimo uma figura discutível nos tempos atuais.

O preceptor da residência médica representa no contexto da residência médica uma ponte entre o médico residente e o serviço de residência médica, desempenhando um papel seminal de supervisão e com a grande responsabilidade de estar sempre ao lado do médico residente, oferecendo uma orientação segura para aprimorar habilidades técnicas e treinar seus conhecimentos; contribuir para a formação humanística, ética e de valores morais nas suas competências, atitudes e comportamentos.

Cabe ao preceptor da residência mostrar ao residente o caminho competente e seguro da residência médica.

Ele precisa ter conhecimento básico do processo educativo, mínima postura pedagógica, experiência, capaz de ensinar e aprender a viver a residência médica e ser um competente especialista de sua especialidade.

Exige-se na sua função didática à beira do leito – por meio de preleções, discussões, demonstrações e apresentações clínicas, que ele deve despertar o interesse e motivação dos seus residentes para uma educação continuada e saber procurar as evidências.

Nesta labuta cotidiana no ambulatório, nos postos de saúde ou nos hospitais deve ensejar a busca da nítida visão do que significa a pesquisa tanto clínica quando experimental.

 O professor Antonio Carlos Lopes quando esteve à frente da secretaria da CNRM, referiu que um dos problemas da residência médica era a incompetência do preceptor. Além disto, como a preceptoria não é estimulada, nem valorizada, ele acaba fazendo esse trabalho nas horas vagas, ou se dedicando pouco tempo a esta função.

Lopes tentou, na época, resgatar a função do preceptor com a criação de uma bolsa (resolução CNRM 8/2004 que foi revogada), mas esbarrou em leis trabalhistas que inviabilizaram a proposta. Outro aspecto era ter o preceptor registrado na CNRM e obter um diploma ao término do seu período, que poderia valer créditos de pós-graduação ou em concurso público. Nada disto foi feito. Nada está sendo feito!

Ou seja, ainda nada existe na legislação da CNRM que contemple uma valorização adequada e reconhecimento do papel do preceptor da residência médica. Como em tudo ao que se refere ao governo federal, a força inercial para fazer as coisas acontecerem é enorme.

 

João Carlos Simões

Editor Científico da Revista do Médico Residente

 

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