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Nada é mais certo do que as mudanças Roney Signorini -

27/10/2013

Roney Signorini - Revista Gestão Universitária - 24/10/2013 - Belo Horizonte, MG

 

No Brasil os mais idosos, com experiência bastante, dos idos de 1950 até 2010, jamais se arriscariam a “profetizar” o que viria na década seguinte pois ninguém tem bola de cristal da melhor qualidade, sobretudo se turva como a nacional, diante de tantos altos e baixos em todos os setores da vida brasileira: é na política, na economia, na religião, educação, nas comunicações, na indústria e comércio, etc. etc.

 

Na década de 60, em visita ao Brasil, Herman Khan, físico, matemático, pensador militar e estrategista futurólogo, deu um chutão com o “parpite” de que seríamos a nação mais pobre do planeta no ano 2000. Tinha robustíssimos 150 quilos mas um QI=200, de dar inveja, desfrutando de amizade íntima com todos os presidentes americanos. Um “encantador de presidentes”, não de serpentes. Faleceu em 1983 sem assistir a nada do que prognosticava.

 

Luiz Almeida Marins Filho, da Anthropos Consulting visitou o SEMESP para uma palestra no ano de 2001 encantando, como de hábito, com o tema O Brasil e os Desafios do Século XXI, que só chegaria dez anos depois. Deu seu recado. Não é futurólogo mas competente antropólogo, daqueles com rara percepção das coisas e do mundo, que conhece o passado e vê mais longe do que um binóculo.

 

Na ocasião, centrava suas inúmeras considerações, com total certeza e domínio , bastando que as pessoas admitissem, aceitassem e concordassem que a alavanca de tudo é o novo, a mudança, a transformação. Para os que acreditaram nele foi acerto total. É a intuição à flor da pele, inteligência e muita cultura. E falar sobre o novo não é tanta novidade assim. Depende muito de quem fala e pratica, sempre atrás do diferente.

 

Vale relembrar aqui algumas abordagens da sua exposição, que se concretizaram, na

 

duríssima realidade como a de que “Correrá sérios riscos quem ficar esperando para ver o que acontece”, pois, num mundo em extrema mudança, a atitude correta das pessoas é (deve ser) também a atitude de mudar. Sobretudo ao considerar-se que a instabilidade surge pelos motivos da globalização, inexorável, e o ciclo de vida curto dos produtos, e que nada ficará fora da competição global, nada.

 

Dizia o prof. Marins “que num mundo como este, a única certeza estável é a certeza de que tudo vai mudar”. Sem a atualização, mas com a tendência de acomodação, ficamos obsoletos pelo medo do novo, do desconhecido. Somos cobrados por grande determinação, para uma constante aprendizagem. Com a internet, 300 anos de jornal podem ser transmitidos em 1 segundo – 1 trilhão de bits por segundo. Ultrapassamos os terabits em tecnologia.

 

Quando tudo mudar, quando tudo se transformar, restará sempre um “novo” por ser descoberto. “Assim, o mundo mudou, o Brasil mudou e os caminhos que nos trouxeram até aqui não são do mesmo tipo e espécie dos que nos conduzirão daqui para a frente.”, enfatizava Marins.

 

Como vivemos numa sociedade espantosamente dinâmica, instável e evolutiva, com um mundo em constantes transformações, todos buscamos novos caminhos deixando sonhos acabados para trás. Paradoxalmente, novos caminhos e com prováveis novas dificuldades. Acabaram os lucros fáceis, não estamos competindo internamente com as empresas brasileiras. A briga de hoje é com o globo.

 

Quando os custos definiam os preços hoje é quanto o mercado está disposto a pagar, porque o “poder” também mudou de lugar, saindo da empresa para a mão do cliente. Exagerando um pouco, cobrando que ela seja diferente e agregue diferenciais.

 

O ponto alto da palestra de Marins foi a ênfase, ainda hoje atualíssima, sobre a inovação e criatividade, abordagem que esbofeteia os resistentes, tradicionalistas e conservadores de plantão.

 

Dizia ele que é preciso inovar, não dá para só copiar, é preciso reinventar. Máximas que o setor do ensino precisa apropriar e exercitar diariamente, aproveitando toda a informação, todas as informações que se acumulam no caldeirão educacional, senão corremos o risco de ficar obsoletos e virar fóssil. Sobretudo porque o setor é exclusivo na prestação de serviços, digamos, o Novo Nome do Jogo: atendimento ( anseios, ambições, desejos e vontades ). Não é nada difícil interpretar isso.

 

E mais, ninguém entra em qualquer jogo para perder. Ninguém passa pelas diversas rodadas sem ter pego/recebido um “coringa”. Seria o máximo do azar, caia fora porque um componente do sucesso também é a sorte.

 

É premente a necessidade de uma avaliação corajosa, com a percepção extremada de que há cursos “velhos”, com conteúdos pretéritos, com corpo docente “cansado-acomodado”, laboratórios ultrapassados, com bibliotecas desatualizadas etc. etc.

 

E não basta só olhar para dentro, para o próprio umbigo.

 

Por exemplo, quanto a evasão do ensino médio quando a presença ( universalização ? ) de crianças na escola ( básico ) é de 90%, quando há mais de 3 milhões fora dele, e o que é mais grave, em idade escolar própria. Até aqui não é notícia nova mas velha.

 

Quanto ao ensino médio a coisa é mais brava ainda pois a média brasileira relativa à freqüência não atinge 83%, embora no nordeste o índice seja 48%. Ou seja, há uma grande massa de jovens despreparados para o Brasil de hoje e de amanhã. E, sem medo de errar, dentre as causas da evasão estão os currículos e conteúdos que não despertam interesse nos alunos porque não têm na mira o objetivo de se chegar à universidade. Portanto, não têm um caráter terminal, não se consegue uma “conclusão de curso”. Ficam faltando vários dentes na dentadura. Não dá pra mastigar.

 

E a razão é simples, franciscana: muitos jovens precisam ajudar suas famílias ( foram gerados para isso ), deixam a escola para ir ao mundo do trabalho, sem perspectivas de bons salários em razão do nível de escolaridade. Assim, a escola brasileira é ineficiente e ineficaz. Não se transforma, não inova, não muda, é rançosa e medrosa.

 

Dito pelo não dito, as IES precisam estar preocupadas, afora os órgãos e autoridades educacionais que ficam com picuinhas, querendo construir jardins nos topos dos prédios, como um cretino, na China, que só se satisfez quando plantou uma floresta na cobertura, mas em bom tempo os condôminos o obrigaram a se desfazer dela.

 

O assunto é saboroso para um espaço exíguo, mas tem tudo a ver com o novo e a transformação de propósitos, intenções e objetivos, ao menos na tentativa da adoção de reformas para a consecução de ideais educacionais realistas.

 

Os cursos técnicos e tecnológicos estão aí para degustação, sem erro, e sob as expensas do governo. Quem mandou atuarem com incúria sobre o Básico e Médio ?

 

Não foi por falta de aviso das mantenças superiores, que estão pagando o pato com laranja quando lhes bastariam uma modesta refeição.

 

Prof. Roney Signorini - Assessor e Consultor Educacional - roney.signorini@superig.com.br

 

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