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As formigas reunidas derrubam um leão - Antonio Celso N.Nassif

28/11/2013

“As formigas reunidas derrubam um leão”

  “Levanta-te médico, porque este é um momento difícil e de reflexão; envolve sonhos e conquistas; hombridade e dignidade; Homens e homens. Não importa se és ou não corajoso, contanto que sempre combatas como se o fosses: a verdadeira coragem é, por vezes, uma opção.”

  Iniciava assim, em maio de 1991, uma mensagem, por mim dirigida aos médicos de todo o Brasil atingidos pelos vários congelamentos de preços e serviços, acuados pelo governo e pelos diversos planos de saúde impedindo que sua entidade representativa nacional (AMB) continuasse atualizando os valores de honorários médicos por serviços prestados com base em sua Tabela (THM-e-CH).

  A luta pelo direito de estabelecer Honorários Médicos tornava-se difícil considerando a diferença de força e poder do outro lado. Ameaças, processos, Portarias Ministeriais tumultuavam ainda mais a crise.  Mesmo assim, a AMB, na qual eu exercia a Presidência, não recuou enfrentando a tudo e a todos mostrando que esse direito era sagrado em todas as profissões e exigia respeito à dignidade do médico. Era preciso, pois, chegar a todos os esculápios uma forma de encorajá-los e darem o apoio necessário que precisávamos.

  Mais adiante, nesse caminho, a mensagem enfatizava: “Levanta-te médico, sai desse individualismo e dá tua parcela de contribuição para que juntos possamos vencer mais esta batalha: não nascemos fortes, tornamo-nos fortes. Dize que não te vendes por qualquer preço; que tens o direito de estabelecer valores para teu trabalho; que defendes a tua Tabela de Honorários, pois, te valoriza e dignifica.”.

  Como acontece, ainda hoje, a desunião da classe médica é fato lamentável. Tantos anos se passaram e nós não aprendemos a lutar e reivindicar como fazem os metalúrgicos, que a um simples sinal de mobilização, os patrões procuram de imediato um acordo formal.

  Analisando estes fatos, o saudoso cirurgião mineiro Júlio Sanderson de Queiroz costumava dizer: a diferença está na base dos metalúrgicos: praticamente, todos têm a mesma base familiar e econômica.  Desta forma, acrescentava o cirurgião “eles são unidos, mesmo em se odiando”.

  E os médicos? Ah! Dizia ele. Não existe esse fato significativo: uns têm suas origens da classe A; outros da B; outros ainda da C. Muitos são filhos de empregados em lojas, bares, segurança pública,  supermercados, etc., e lutam com muita dificuldade. Por isso, dizia o cirurgião: “eles são desunidos mesmo em se amando”.

  Minha mensagem termina fazendo um apelo aos médicos brasileiros. “Levanta-te médico, combate com vigor e decisão aqueles que usam o teu trabalho com objetivo de lucro; não deixe que teus olhos sejam cegos, teus ouvidos não escutem e tua boca se cale diante das forças poderosas e aéticas que tentam subjugar-te e a toda classe médica. Exige que tua profissão seja respeitada como merece; mostra a todos que apesar de não teres salários justos e condições ideais de trabalho és capaz de exercê-la com honra e dignidade.”

  Para ser atual, esta mensagem, não precisa dizer mais nada.

Prof. Dr. ANTONIO CELSO NUNES NASSIF, 79, Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, foi presidente da Associação Médica Brasileira.                          22/11/2013                nassif934@gmail.com

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