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A Medicina e a compaixão - João Carlos Simões

29/09/2014

A MEDICINA E A COMPAIXÃO

 

‘‘À vida do médico não se propõem recompensas, mas deveres.’’

(  Luiz Venere Décourt )

 

 

 

Medicina, derivada do latim ars medicina, significa a arte da cura.

 

A Medicina é a grande paixão do dia a dia e será a eterna companheira do médico vocacional.

 

Para se fazer Medicina é preciso ter curiosidade e compaixão.

A curiosidade é inata no ser humano.

A compaixão precisa ser ensinada ao estudante de medicina.

Rubem Alves escreveu que “ afinal de contas, a primeira condição de um médico, anterior à sua competência técnica, é a sua compaixão. Compaixão é sentir, de alguma forma, aquilo que o outro está sentindo. Retirada a compaixão o médico não passa de um mecânico que manipula carros sem sentir nada porque carros nada sentem.

Pergunto agora à vocês, médicos amigos, professores, modelos a serem imitados, responsáveis pela formação dos novos médicos: qual é o lugar, nos currículos de medicina, onde tanta coisa complicada se ensina, para uma meditação sobre a compaixão?

É na compaixão que a ética se inicia e não nos livros de ética médica. Ah! dirão os responsáveis pelos currículos – compaixão não é coisa científica. Não entra na descrição de casos clínicos. Não pode ser comunicada em congressos. Portanto, não tem dignidade acadêmica. Certo. Mas acontece que não somos automóveis a serem consertados por mecânicos competentes. Somos seres humanos. Amamos a vida, queremos viver.  Sofremos de dores físicas e de dores de alma: o medo, a solidão, a impotência, a morte.”

Ter compaixão precisa ser ensinado nas escolas médicas todos os dias!

 

Que força estranha é esta que nos faz pousar as mãos sobre o corpo enfermo e, pelo menos, amenizar o sofrimento?

            Que força tamanha é esta que nos impregna de cuidar dos doentes mesmo se esquecendo de nós mesmos e de nossa família?

           Onde se encontra esta vontade de estudar todos os dias?

 

Cuidar e gostar de gente é a razão de ser da vida do estudante e do médico.

É a sua grande motivação.Ensinar aos estudantes de medicina é a outra vocação do médico professor. Ser professor de medicina é continuar se transformando e aprendendo com os seus estudantes.

 

Ensinar aos estudantes de medicina e aos residentes como se ensina aos filhos é hipocrático. Ensiná-los, como disse o professor Adib  Jatene, que o médico precisa ser especialista em gente, compreender como as pessoas são diferentes e o quanto a sua atenção e dedicação a elas é fundamental no tratamento.

 

João Carlos Simões

Editor Científico da Revista do Médico Residente

Professor Titular do Curso de Medicina da FEPAR

 

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