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A importância da segunda opinião em medicina O EDMOND BARRAS

13/09/2015

 

EDMOND BARRAS

A importância da segunda opinião em medicina

12/09/2015  02h00

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Em nenhum campo do pensamento, da filosofia ou da ciência há algo que seja indiscutível, inquestionável e definitivo. A confrontação das ideias constitui, na realidade, o grande propulsor da evolução do conhecimento humano.

Assim é na medicina. O que vale no dia de hoje pode ser substituído por nova evidencia no dia de amanhã. Nos congressos médicos, os assuntos mais atraentes são os que geram confrontos e as propostas que demonstram ser o novo um bom substituto para o velho.

É dessa forma que a medicina avança. Nela, é impossível garantir unanimidade na prescrição de tratamentos. Ao contrário, o eventual consenso profissional entre os médicos pode refletir certa indulgência, para não dizer um comodismo de quem se agarra ao que "sempre deu certo".

O médico atento é forçado a analisar os resultados dos procedimentos que emprega à luz dos alternativos para, com isso, bem servir o paciente e reduzir o custo das intervenções para o próprio paciente, convênios médicos e cofres públicos.

Nesse sentido, o recurso a uma segunda opinião de médicos especialistas constitui um método eficiente, utilizado em muitos países avançados. Neles, os próprios convênios médicos e, às vezes, os órgãos públicos pagam as despesas envolvidas na segunda opinião.

Como garantir a objetividade da segunda opinião? Novamente, nenhuma opinião é infalível. Mas, ela é muito útil quando é proferida por médicos independentes, sem subordinação a instituições médicas, à industria farmacêutica ou aos produtores de material médico.

A segunda opinião não representa dúvida em relação ao primeiro médico. Trata-se simplesmente de uma ferramenta auxiliar para melhor compreender um procedimento indicado. Quando há convergência, a segunda opinião reforça a confiança do paciente em relação à primeira. Quando há divergência, pode-se recorrer a uma terceira opinião.

A saúde é o bem mais precioso que o paciente possui, razão pela qual deve explorar todos os métodos para tratar da doença. A segunda opinião estabelece um salutar diálogo do paciente com o médico. Na era de tanta transparência, como é o século 21, não há porque limitar a decisão de um tratamento a uma opção solitária de um profissional.

Por mais de quarenta anos, milito no campo da cirurgia da coluna vertebral para o qual a busca de uma segunda opinião deveria ser quase mandatória em vista da grande variedade de tratamentos clínicos e cirúrgicos existentes e ainda de duas especialidades voltadas para esse campo -, a dos cirurgiões ortopédicos e a dos neurocirurgiões. Tratam-se de abordagens diferentes, ambas com base científica, mas não infalíveis.

Para o tratamento de problemas da coluna vertebral, a segunda opinião ajuda o paciente a compreender melhor a sua doença e a entender as razões das recomendações do seu médico. Para os convênios médicos e para o próprio governo, evita dispêndios desnecessários.

Pela análise da situação atual, acredito ser de grande valia para os brasileiros a adoção da prática da segunda opinião em todos os casos em que se busca segurança e conforto. Sou francamente favorável às organizações que apoiam e estimulam essa prática. No Brasil, as poucas experiências existentes comprovam a eficácia desse expediente.

EDMOND BARRAS, 66 anos, é médico cirurgião de coluna vertebral formado pela Faculdade de Medicina da USP

 

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