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PORTUGAL: O pessimismo é uma profecia que se cumpre - Entrevista com Dr. João Lobo Antunes

07/08/2008 21:28:06

Entrevistas de Verão: João Lobo Antunes 2008-08-08 00:05

“O pessimismo é uma profecia que se cumpre”

João Lobo Antunes fala sobre a saúde e o país. E diz que há uma crise de valores e de confiança em Portugal.


Demora tempo a responder às perguntas, pensa em todas as palavras que diz, não se precipita. João Lobo Antunes, o neurocirurgião mais reputado em Portugal, tem com as palavras a mesma poupança que usa nos gestos quando realiza operações ao cérebro. Acredita que há “uma crise gravíssima de valores” e de confiança no país, mas recusa-se a ser pessimista. Em entrevista ao Diário Económico, o director do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, Professor e presidente da Academia Portuguesa de Medicina fala sobre o país, o estado da saúde em Portugal e a sua experiência pessoal.

Foi mandatário na última campanha de Cavaco Silva a Belém. Porque sentiu necessidade de voltar a intervir de forma mais activa, depois de ter sido mandatário de Sampaio?
Quer numa campanha quer noutra, participei por solicitação directa e pessoal dos candidatos. E entendendo eu que não tinha que moldar a minha filosofia política, entendi ser um serviço e por isso tive muito gosto em participar.

Que balanço faz da presidência de Cavaco Silva?
Tem correspondido exactamente ao que esperava: uma actuação sensata, de equilíbrio, reserva e prudência. O exemplo que dá é muito positivo.

O país está numa fase crítica? Sente que há mais incerteza na nossa sociedade do que nunca?
Há uma certa perplexidade, inquietação. Há várias inseguranças e algumas são tão básicas como a necessidade de emprego, a necessidade de Saúde… A própria segurança pessoal, no quotidiano, a incerteza quanto à forma como a justiça é administrada, a comichão da dúvida, não se poder acreditar em nada, achar-se que o jogo está inquinado, a todos os níveis….

E o jogo está mesmo inquinado?
Em certas coisas, acho que está. Há uma crise gravíssima de valores e uma crise daquilo que é o cimento de uma sociedade contemporânea: a confiança. Nós precisamos de ter confiança que o contador de electricidade conta como deve ser, que as pessoas não estão a fazer batota num jogo de futebol, que os concursos públicos são limpos, que não há interesses ocultos. Estamos numa sociedade com um nível de complexidade tal que temos de confiar nas pessoas e nas instituições públicas e privadas. Quando há uma crise de confiança, por exemplo na justiça, as pessoas vivem desconfortáveis.

Portugal não continua avesso ao risco e à espera de um salvador?
Quando fui para Nova Iorque fui por minha iniciativa. É preciso uma certa coragem e ter a capacidade de assumir um risco. A cultura do risco é uma coisa muito da sociedade do nosso tempo. As pessoas não querem correr riscos. Às vezes a segurança é o risco. Curiosamente, aceitam-se os desportos radicais – um desperdício de coragem. Os portugueses que vão para fora são pessoas que assumem o risco. Têm consciência do que podem fazer, não têm medo do confronto. Nas novas gerações de cientistas, médicos, gestores, já há muita gente com essa qualidade. Não tenho um discurso pessimista.

Um médico não pode ser pessimista?
Não posso ser pessimista na minha profissão. Você queria ter um médico pessimista?

Eu queria ter um médico realista.
Bom, realista e optimista. Uma das coisas que as pessoas não percebem, e que depois ocorre no discurso político, é isto: o pessimismo é uma profecia que se cumpre. Isto acontece a vários níveis. Em medicina, quando dizemos que o prognóstico é irremediável, toda a gente desiste – incluindo o próprio médico. Mas o conhecimento, ao contrário do que se possa pensar, veio trazer muito mais incerteza.

O “só sei que nada sei”…
Exacto. Uma das grandes conquistas do nosso tempo foi a descoberta da ignorância, incluindo na medicina. E uma das coisas que os médicos têm de aprender é a lidar com a incerteza.

Até quando é que o serviço público de Saúde em Portugal aguenta a cada vez maior procura de cuidados? Chegará a altura em que o Estado terá que dizer “não” às pessoas?
Há muitas causas para este aumento. Antes de mais, há uma “medicalização” de tudo, ou seja, reduzimos tudo a uma doença. Parte tem a ver com o desenvolvimento da medicina, com a convicção de que temos armas tão poderosas que tudo resolvem. Temos uma população de “preocupados saudáveis”. Isto foi em parte criado pelos médicos e pelas profissões à volta da medicina – como os nutricionistas, por exemplo. E depois houve um forte contributo dos media: a boa notícia médica – como uma nova cura – vende. São criadas expectativas que a medicina nunca poderá cumprir. A conjunção de tudo isto vem claramente aumentar a procura. Mais de metade das consultas que eu faço são para dizer às pessoas que elas não têm nada.

E os doentes não gostam…
Há quem fique aborrecido e quem fique satisfeito. Há pessoas que vivem a doença com um certo consolo. Ainda há em Portugal, embora em menor grau, o culto da proibição. Os doentes gostam de ser proibidos. “Estou proibido pelo médico.”

A saúde pública gratuita deve ser vista como um direito fundamental, como diz a Constituição?
A saúde pública é tendencialmente gratuita.

Tendencialmente…
É óbvio que há claras injustiças. Quem pode pagar deveria contribuir. A questão fundamental é tentar garantir a acessibilidade com equidade. Que a pessoa não fique ali eternamente à espera das consultas ou de tratamentos de que precisa. Obviamente que isto é um desiderato que tem um claríssimo fundamento moral – que não é de esquerda nem de direita.

A pressão da despesa leva à contenção orçamental. Sente no seu trabalho as limitações do racionamento de custos na Saúde?
Eu tenho uma situação muito confortável no serviço de neurocirurgia de um hospital do Estado. A neurocirurgia é das especialidades mais tecnológicas e dispendiosas. Implantar um dispositivo de Parkinson custa mais de 25 mil euros. Nunca senti qualquer restrição por parte da administração deste hospital, mas sou extremamente vigilante em relação à forma como são gastos os dinheiros públicos.

Trabalha no serviço público de Saúde. Qual é o maior problema do sistema?
Há vários. Um é de carácter organizacional, a flexibilidade do sistema. Outro é a comunicação, a forma como se comunica. O terceiro é o consumo exagerado de cuidados médicos. Depois há o ‘man power’, ou melhor, agora é mais o ‘woman power’ – há cada vez mais raparigas do que rapazes a entrar para medicina – e a sua má distribuição geográfica. E há o problema da especialidade orfã, a pedra basilar do sistema que é a medicina geral e familiar.

Os médicos estão mal distribuídos pelo país e pelas especialidades…
Há um problema geográfico, em relação aos locais para onde os médicos devem ir. É preciso médicos no interior. E há um problema na escolha das especialidades: os jovens médicos querem especialidades mais tecnológicas, com maior prestígio social, embora não haja nada mais nobre do que a figura do médico de família.

Portugal tem falta de médicos?
Em números absolutos não tem. Em termos relativos e de distribuição pelas várias áreas tem. Agora, é uma absoluta falsidade, repetida até à exaustão por quem fala sem saber, que a falta de médicos se deve a um lóbi da profissão e às faculdades de medicina. Nunca as faculdades de medicina nem a Ordem dos Médicos tiveram uma palavra a dizer sobre o número de médicos a serem formados. Eu sei, porque estava em lugares de responsabilidade na faculdade quando isso ocorreu. Claro que quando tínhamos cursos com 120 alunos havia outras condições – o que nos agradava porque ensinávamos melhor. Agora estamos com mais de 300.


“Conheço excelentes gestores hospitalares que não são médicos”

Não faz sentido abrir mais cursos de medicina?
Não. Nós temos exactamente o número de cursos de que precisamos. As faculdades que temos já excedem os critérios europeus exigidos. E não há nada pior do que produção excessiva de médicos. Um número excessivo de médicos potencia o consumo excessivo de cuidados médicos, gera mais intervenções terapêuticas.

Os médicos recém-formados hoje são muito diferentes dos que se formavam há 30 anos?
As oportunidades de ganhar a vida através de uma selecção de especialidades fazem com que as escolhas hoje sejam praticamente uma escolha de mercado.

Os actuais recém-formados querem trabalhar menos do que o que era regra antes?
Não, mas há um fenómeno interessante: a feminização da medicina. O facto de 75% dos médicos serem mulheres vai ter repercussões claras. Aqui, como nos EUA, as pessoas tenderão a escolher as especialidades com horários previsíveis, que permitem compatibilizar uma vida familiar com uma vida profissional. Na América fala-se na “road to happiness” – o caminho para a felicidade. ‘Road’ significa radiologia, oftalmologia, anestesia e dermatologia. Estas especialidades permitem uma melhor compatibilização dos dois objectivos.

Para quem tem um problema de saúde grave, o sistema público ainda é a melhor opção, como sustenta a ministra da Saúde?
Acho que há hospitais privados como aquele em que trabalho, que estão preparados para lidar com qualquer problema de saúde, qualquer que seja a sua gravidade. A opinião da Senhora Ministra é respeitável mas redutora.

Em que hospital privado é que trabalha?
Eu trabalho no CUF Infante Santo e trabalho há já 24 anos. Não é fácil congregar profissionais daquele nível de qualidade e naquele ambiente tão colegial.

Faz sentido que haja pessoas à frente dos hospitais que não são médicos?
Não tenho nada a opor. Por acaso, o presidente à frente do Santa Maria é médico. E, de facto, desde o início deste hospital, nunca as decisões do Conselho de Administração tiveram tanto impacto como têm agora. Se me pergunta se seria mais fácil lidar com um presidente do Conselho de Administração que é médico eu digo-lhe que sim. Certamente a pertinência clínica, as decisões que se tomam e a forma como a perspectiva médica é enquadrada na gestão global do hospital são mais facilmente apreensíveis por alguém com formação médica. Mas conheço excelentes gestores hospitalares que não são médicos.

E um ministro de Saúde médico será mais sensível aos verdadeiros problemas de saúde?
Não. O que se espera de um ministro da Saúde é que seja competente. Também há médicos competentes e médicos incompetentes. Um ministro da Economia ou das Finanças deve, de facto, ser economista, mas eu gosto muito da expressão do Rudolf Virchow que diz que a política é medicina em larga escala. O que um ministro precisa é de experiência, conhecimento, abertura e capacidade de decisão.

A actual ministra tem essa abertura de que fala? Mais que o anterior ministro?
Não comento a actuação desta ministra como não comentei a do anterior.


“A operação é um acto sagrado com uma liturgia própria”

Como é que se decide ser médico?
Uma socióloga americana de que gosto muito, Renée Fox, comparou as pessoas que acabam medicina agora com as que o fizeram no passado. Não sei se é rigorosamente verdade, mas ela dizia que hoje a decisão é muito mais “hamletiana”: vou ou não vou, escolho ou não escolho. A minha decisão foi de última hora. Era suposto ir para o Técnico...

Essas reminiscências de Hamlet terão a ver com o facto de vivermos um tempo mais confortável?
Não acho que seja uma época mais confortável. Nós vivemos melhor que os nossos pais, mas acho que os nossos filhos vão viver pior que nós.

Essa é uma reflexão típica de quem chega a um certo ponto na vida?
Não, é uma reflexão empírica, que vale o que vale. Mas tenho a sensação de que vai ser mais difícil para eles quando chegarem à minha idade. Mais insegurança no emprego, menos apoio e valores, menos capacidade de transcender o quotidiano, de pensar noutras coisas, mais exigência de bens.

A sua escolha de medicina foi, então, por instinto?
Acho que foi uma escolha feliz. Não sei se foi na estrada de Damasco, um chamamento súbito… Mas acho que era o curso que se adaptava mais àquilo que sou – ao meu tipo de inteligência, ao meu temperamento, à minha cultura. Se eu tivesse outras vidas talvez escolhesse outras coisas.

O que é que escolhia? Experimentava ser escritor?
Escritor de certo modo já sou, não sou é ficcionista. Escrever ficção não sei, mas certamente desenvolver alguns temas de literatura, filosofia, sei lá!

É possível ser médico muitos anos sem cair no cinismo ou na frieza face à dor dos doentes?
Acontecem várias coisas com a idade. A descoberta mais fantástica é que afinal a natureza não é um inimigo, mas um aliado. O cinismo é fatal em qualquer idade, principalmente quando se faz o que eu faço. Aqui, a prática evangélica do bom pastor é muito significativa: se eu não me importar de perder uma ovelha, devia mudar de profissão.

Há, então, uma aproximação aos doentes?
Com a idade sou mais sensível ao sofrimento. E vejo isso em relação aos mais novos, porque já estou no Outono da vida. Percebo o sofrimento que está para lá daquilo que a gente vê e que inclui as consequências que tem na família, num tempo difícil, em que as famílias estão mais abandonadas.

Tem uma boa relação com os seus doentes?
Procuro ter uma excelente relação. Devo ter recebido quatro ou cinco cartas de pessoas que não gostaram nada de mim. E certamente algumas outras dirão o mesmo – o que sempre me magoou muito. Mas às vezes são os próprios doentes que dizem assim: “O senhor está muito cansado, o melhor é eu voltar cá outro dia”. Por exemplo, acabei de fazer uma operação e tenho alguma dúvida sobre qual será o resultado final. Quando volto ao consultório há uma nuvem e os doentes percebem. Somos movidos por uma empatia natural, que eu tenho, embora haja quem pense que não.

Conte-nos como é uma operação à cabeça.
O objectivo de operar é claramente pragmático: a ideia é resolver um problema. A operação é um acto sagrado com uma liturgia própria. E respeito, não só pelo doente, mas também por nós, médicos, e pela tradição da profissão. Isto obriga ao treino. Por isso continuo a operar mais de 400 doentes por ano – é a única maneira que tenho de manter a boa forma. É preciso uma certa disciplina física. E, depois, há um sentido estético das coisas: têm de ser bonitas, têm de ser elegantes.

Como é que uma operação destas pode ser bonita?
Respeitando os tecidos, tratando com imensa delicadeza aquele barro que está nas nossas mãos, na economia do gesto, do tempo.

Vai ficando cada vez mais apurado?
Não sei se já atingi o pico. Mas não há dúvida que tenho outra tranquilidade. Não quer dizer que não sinta momentos de enorme tensão... Às vezes saímos da sala de operações como se tivéssemos levado uma sova.

Sente medo quando entra na sala de operações?
Com idade, evolui-se do medo para o respeito.

Os rituais antes de operar são uma forma de protecção contra o que pode correr mal?
Sou muito ritualista. Fiz todos os meus exames com a mesma gravata – era verde com uma risca encarnada e outra branca. Quando cheguei ao fim, destruí-a. Portanto, eu cumpro os meus rituais, alguns secretos, outros contáveis. Para lá da racionalidade, nós temos muito de emocional.

Quais são os seus rituais que pode contar?
Certos gestos, hábitos e instrumentos. Tenho um instrumento que já esteve no interior das costas da Elizabeth Taylor. É uma pinça especial que o meu mestre utilizou quando a operou. Deixou-ma quando se reformou. Há esta herança e continuidade de escola cirúrgica – um conjunto de gestos que os cronistas da bola chamam de gestos técnicos.

Acredita que deixará uma marca sua nessa escola?
Acho que sim. Reconheço isso ao vê-los fazer como eu faço. Os meus mestres reconheceram isso a ver-me fazer como eles faziam. Agora, cada um de nós tem uma forma pessoal de interpretar, como um pianista interpreta uma partitura. Por outro lado, qualquer discípulo imita o mestre, mas também tenta ultrapassá-lo. Tenho enorme orgulho nas coisas que eles sabem fazer e eu já não sei.


“Tenho uma admiração sem limites pela obra do meu irmão”

Literatura e medicina são indissociáveis?
Costumo dizer que aprendi mais sobre a ética na prosa e na ficção do que nos tratados de ética. Tenho escrito muito sobre isso. Há os grandes textos – “A morte de Ivan Ilitch”, de Tolstoi – ou os contemporâneos, como os romances de Phillip Roth, onde escreve sobre a fragilidade da natureza humana e o homem velho e doente. Este é um assunto que me interessa, sobre o qual ainda hei-de escrever mais.

Tem uma lista de livros fundamentais?
Leio muita ficção. Tenho autores favoritos, norte-americanos, mas é difícil fazer uma lista.

Philip Roth está na lista?
Sim, o meu preferido é, provavelmente, o “Dying Animal” [Animal Moribundo]. “Património” é um livro admirável, com uma história real, do pai dele, que teve um problema neurocirúrgico, (eu conheço o neurocirurgião envolvido). Tem coisas de uma realidade crua, com uma dimensão universal transcendente que é admirável.

Tem mais ensaios na calha para escrever?
Irei fazer uma coisa sobre o José Cardoso Pires lá para Outubro. E vou pegar na ficção médica do Roth e também no Coetzee [sul africano, Nobel da Literatura], que foi uma descoberta admirável.

Que influência veio de ter um irmão escritor?
O meu irmão escritor viveu comigo no mesmo quarto durante 23 anos e tenho pela sua obra uma admiração sem limites. É um dos inventores da língua portuguesa contemporânea. Aprecio muitos as crónicas, são coisas que me dizem mais a mim. São aquelas observações quase biológicas, das pessoas comuns, que não têm voz. Uma das especialidades dele é ter dado voz aos mudos, às pessoas que têm dificuldade em serem ouvidas.


Perfil: João Lobo Antunes
Filho de um neurologista que trabalhou com Egas Moniz e tendo por mestre Victor Horsley, um dos pais da neurocirurgia moderna, João Lobo Antunes é um dos mais reconhecidos neurocirurgiões do mundo. Trocou a engenharia pela saúde pouco antes de entrar na faculdade e os 19 vintes valeram-lhe uma bolsa Fulbright para o departamento de neurocirurgia de Nova Iorque (Universidade de Columbia). Doutorado em 1983, volta a Portugal como catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa. Foi vice-presidente da World Federation of Neurosurgical Societies e presidente das Sociedades Europeias de Neurocirurgia e das Ciências Médicas de Lisboa, distinguido com o Prémio Pessoa e nomeado por Cavaco para o Conselho de Estado. É casado e pai de quatro raparigas. Além do ensino, dirige o serviço de neurocirurgia do Santa Maria, lidera a Academia Portuguesa de Medicina e faz 400 operações por ano. Aos 64 anos, não pensa em abrandar o ritmo.

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