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PORTUGAL tem poucas "Unidades da Dor"

21/10/2008 17:16:22

21-10-2008 - 17:23h

Portugal tem poucas «Unidades da Dor»

Associação para o Estudo da Dor alerta para escasso número de unidades específicas para o tratamento de doentes com dores crónicas

Por: Redacção


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A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) alertou esta terça-feira para a «escassez» de cuidados específicos destinados aos doentes que sofrem de dor crónica, uma vez que existem apenas 52 unidades de tratamento para 1,2 milhões de portugueses afectados, noticia a agência Lusa.

A propósito da Semana Europeia de Luta Contra a Dor, assinalada entre 20 e 26 de Outubro, o presidente da APED, José Romão, disse que tem havido «pouco investimento» nas unidades de dor, num país em que 30 por cento da população padece de dor crónica, segundo um estudo da Faculdade de Medicina do Porto.

«É preciso sensibilizar os profissionais e os conselhos de administração dos hospitais para a necessidade de dar condições nas respectivas instituições para que outras unidades sejam implementadas», adiantou o também coordenador da Unidade de Dor do Hospital de Santo António.

Responsabilidade deve ser multidisciplinar

Apesar das unidades de dor deverem ser da responsabilidade de profissionais de várias especialidades, o seu funcionamento tem sido assegurado principalmente por anestesistas, o que cria algumas dificuldades.

«Tradicionalmente os anestesistas têm sido a especialidade médica mais implicada no tratamento da dor crónica, mas hoje há uma pressão muito grande para enviar os anestesistas para os blocos operatórios e criam-se alguma barreiras ao desenvolvimento de outras actividade fora do bloco operatório», justificou.

Um dos caminhos para alterar esta situação, segundo o responsável, é apostar noutros profissionais: «A APED tem tentado fazer isso mas, para já, não tem havido um grande envolvimento de muitas outras especialidades», apesar de já começar a haver um envolvimento crescente de enfermeiros, psicólogos e psiquiatras.

Doentes oncológicos são os mais afectados

«Os doentes que nos procuram sofrem essencialmente de patologias músculo-esqueléticas como as lombalgias, a artrite reumatóide e a osteoporose. No entanto, 60 por cento dos doentes que aqui assistimos são doentes oncológicos», segundo Teresa Vaz Patto, coordenadora da Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos e vice-presidente da APED.

De acordo com o «Estudo da Prevalência da Dor Crónica na População Portuguesa», elaborado pela Faculdade de Medicina do Porto, cerca de 30 por cento dos portugueses têm dor crónica (dor várias vezes por mês durante pelo menos seis meses) e 14 por cento dor moderada a grave.

O estudo, que decorreu entre Fevereiro de 2007 e Maio deste ano, indica ainda que 35 por cento dos doentes com dor crónica acham que a sua dor não está bem controlada e, portanto, não estão contentes com o tratamento. A maior parte diz que os medicamentos não são eficazes ou que os médicos não dão a devida atenção à dor que eles têm.

Para assinalar a Semana da Luta Contra a Dor, a APED vai realizar quarta-feira uma visita à Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos, em Lisboa.

Fonte: IOL Diário

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