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Doentes simulados ajudam futuros médicos

08/03/2009 01:00:25

 

Doentes simulados ajudam futuros médicos


Filipe Ferreira

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A funcionar há pouco mais de um ano, o Laboratório de Aptidões Clínicas (LAC) da Escola Ciências da Saúde da Universidade do Minho já é reconhecido internacionalmente. “Era preciso criar um ambiente em que os alunos pudessem interagir, permitindo lançar uma primeira experiência menos ansiosa e onde fosse logo possível fazer uma avaliação dos alunos”, começou por justificar José Miguel Pêgo, docente/tutor e um dos coordenadores do LAC.

O Programa Nacional de Doentes Simulados/Estandardizados para Formação, Avaliação e Certificação Clínica, que conta com o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, é já uma referência nacional e internacional, constituindo-se como um dos núcleos pioneiros no país para este tipo de programas. A Escola Ciências da Saúde trabalha nesse sentido com a Universidade de Thomas Jefferson, em Filadélfia. O laboratório é muito inspirado numa actividade que existe aí, sendo possível inscrever, pela primeira vez, o nome de uma escola médica portuguesa no Annual Report do National Board of Medical Examiners.

“Um doente standardizado é uma pessoa treinada para interpretar o papel de paciente ou um doente real que interpreta a sua própria história e exame físico em cenários simulados”, explicou José Miguel Pêgo, sublinhando que a aprendizagem de gestos e de competências permite o aperfeiçoamento das competências médicas pela possibilidade de repetição sob supervisão.

“Em termos práticos, os alunos podem ter contacto com patologias que nem sempre têm na realidade e que são estereótipos da doença”, admitiu o docente/tutor, exemplificando: “aqui podemos praticar o exame neurológico, nem sempre nos hospitais se consegue, porque os médicos têm muita coisas para fazer e não há tempo para dizer aluno a aluno. Na prática é difícil, senão impossível para fazer isto tudo com os alunos”.

No laboratório é possível simular todos os gestos e de uma forma standardizada porque todos os alunos aprendem da mesma maneira. “É importante que a escola tenha o mínimo de razoável nos alunos em relação áquilo que aprendem”.
Aos laboratórios, que conta com 22 temas diferentes e 26 histórias clínicas, vão os alunos que querem aprender mais e 634 estudantes já frequentaram as actividades extra-curriculares. “Deste número de alunos, 94% recomenda a sessão aos seus colegas”, adiantou, ainda, o coordenador.
A avaliação da qualidade e satisfação dos alunos em relação ao programa é feita através de um questionário aos estudantes. “A auto-avaliação e avaliação é essencial para aferirmos se está a ser aplicado de forma correcta e para identificar onde temos problemas”.

O docente/tutor também admitiu que a escola quer cativar médicos que não são docentes a fazer alguma tutoria no laboratório. “Neste momento temos 35 pessoas a trabalhar, sendo que 17 não tem nenhum co;ntrato formal à escola. Temos médicos de vários hospitais da região que vêm cá no horário pós-laboral de forma gratuita e voluntária para tutorizar e isso permite fazer uma ligação entre a escola e a sociedade civil e, por outro lado, também enriquecer a quantidade de informação que os alunos recebem”.

A investigação científica também é outro aspecto levado em consideração. “Fomos ao congresso europeu de formação médica e os nossos trabalhos foram todos aceites e reconhecidos como de qualidade e tivemos uma grande audência”, contou orgulhoso.

Prática e à-vontade melhoram desempenho

Analisar uma história clínica ou executar um exame físico a um doente sob supervisão. Estas são apenas algumas das tarefas que Ana Vieira, do 4º ano do curso de Medicina da Escola Ciências da Saúde da Universidade do Minho faz com alguma frequência no Laboratório de Aptidões Clínicas (LAC).
“Este projecto ajuda-nos muito. Aliás, um estudo que foi feito na escola demonstrou que o aluno que frequenta o LAC tem um melhor desempenho ao executar determinado gesto clínico do que aquele aluno que não frequentou”, defendeu a estudante. E foi mais longe: “ao fazermos o gesto clínico, temos alguém que nos apoie e, além disso, fazemos o gesto individualmente, aprendemos as contra-indicações e percebemos quando o gesto deve ser feito ou não”.

Ana Vieira, que estava na sala com um grupo de colegas do mesmo ano, admitiu que ali se sentia “à-vontade”. “Aqui podemos errar e, às vezes, em contexto de hospital, se formos cinco a fazer o mesmo gesto, só um é que acaba por o fazer, e muitas vezes, por receio dizemos que vimos e não vimos nada”.
O facto de ser um boneco também ajuda a “relaxar um bocadinho”, acreditando que se consegue “fazer direito no laboratório”, também “vai correr bem quando for mesmo a sério”.

O LAC é frequentado por alunos do primeiro ciclo, ou seja, até ao terceiro ano. “O que se verifica é que os alunos que já estão nas residências hospitalares não frequentam muito o LAC. Estes temas deviam ser frequentados pelos alunos do segundo ciclo, porque assim acabam por se desleixar, porque o gesto acaba por ser praticado muitas vezes de forma incorrecta”.
Na entrevista clínica, existem actores que foram treinados para as entrevistas dos alunos.
“Há gestos clínicos com modelos e há outros que praticamos uns com os outros”, explicou, ainda, aquela aluna do 4º ano.

Estas aulas extras, realizam-se ao final da tarde, dependendo muito do número de alunos inscritos. “Os temas ligados ao cirúrgico, aqueles que são muito práticos (as punções venosas), porque criam muito ansiedade, e a ecografia são os mais frequentados”, informou a jovem, admitindo que o projecto é “uma mais-valia e tem dado frutos”.

 

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