Escolas Médicas do Brasil

O ensino médio entra na roda

 16/05/2009

 

Educação

O ensino médio entra na roda

O Mec quer fazer do Enem uma ferramenta importante para repensar os conteúdos, combater a evasão escolar e modificar o processo de seleção do vestibular. E você, o que pensa sobre tudo isso? O debate está apenas começando...

Publicado em 16/05/2009 | João Rodrigo Maroni

Duas propostas recentes do Ministério da Educação (Mec) estão causando uma boa discussão entre estudantes e educadores no Brasil. Ambas envolvem o ensino médio. A primeira destas ideias – ainda em fase de debates – é a de agrupar as 12 disciplinas atuais em quatro grupos temáticos mais amplos, nos quais os conteúdos seriam trabalhados interdisciplinarmente. Ou seja, uma aula de História, por exemplo, poderia agregar temas de Geografia ou Português.

A outra iniciativa é remodelar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que pode substituir o atual vestibular como critério de seleção para o ingresso nas universidades – sobretudo nas públicas. Para os estudantes do EM – tanto de escolas estaduais quanto particulares –, a oportunidade é boa para debater o que se aprende hoje em sala de aula e para repensar o próprio vestibular, entre outras questões importantes.

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Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Marcelo Elias/Gazeta do Povo / Para Filipe, Pauline, Carolina e Henrique, não ajuda muito substituir o vestibular pelo novo Enem. Seria melhor avaliar o histórico escolar de cada aluno Ampliar imagem

Para Filipe, Pauline, Carolina e Henrique, não ajuda muito substituir o vestibular pelo novo Enem. Seria melhor avaliar o histórico escolar de cada aluno

Bê-á-bá

As propostas do Mec para o ensino médio:

As disciplinas

> Ao invés das 12 matérias (Matemática, Português, Artes, Língua Estrangeira, Educação Física, Biologia, Física, Química, Geografia, História, Filosofia e Sociologia), os conteúdos seriam agrupados em áreas: Matemática, Humanas, Línguas, Exatas e Biológicas.

> A carga horária passaria de 2,4 mil horas (em três anos) para 3 mil horas: aumento de 25%.

> O objetivo é integrar mais os conteúdos e torná-los atrativos para os estudantes. Porém, os governos estaduais não serão obrigados a adotar a proposta. Um projeto piloto começaria em 2010.

O novo Enem

> A partir deste ano (dias 3 e 4 de outubro), a prova passará de 63 para 200 questões objetivas, além da redação.

> A prova pode substituir nacionalmente o vestibular das faculdades.

> O objetivo, de acordo com o Mec, é democratizar o acesso, baixar o custos para os estudantes, possibilitar a mobilidade acadêmica (o aluno poderá se inscrever em até 5 instituições em todo o país) e forçar uma reestruturação pedagógica no ensino médio.

> Se optarem por utilizar o novo Enem, as universidades terão quatro possibilidades de fazê-lo: utilizar a nota integralmente, como critério único para ingresso; usá-la para substituir só a primeira fase do vestibular; somar a nota – em qualquer percentual – como a do próprio processo seletivo; ou apenas para preencher as vagas remanescentes.

Ideias dividem especialistas

“O cenário hoje no ensino médio brasileiro é catastrófico. Temos problemas de cobertura, de qualidade e de evasão”, diz Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco, entidade ligada ao movimento Todos Pela Educação.

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Experiência

Boa parte dos estudantes do EM das escolas estaduais do Paraná já têm alguma experiência com o rearranjo das disciplinas. No Colégio Estadual Paulo Leminski, por exemplo, os alunos cursam – a cada semestre – um bloco com 6 disciplinas afins, fazendo as restantes no segundo semestre. Não é a mesma proposta apresentada pelo Mec, mas a mudança provocou reações.

“Eu, particularmente, não gostei muito da divisão. O bloco é bom para fazer o aluno se interessar pelo estudo, mas você acaba esquecendo de algumas coisas”, avalia Jeanice Souza, 18 anos, que fará vestibular em breve. “Você estuda 6 matérias em um semestre e vai ficar o outro sem vê-las”, complementa Gustavo Ramos, 14, que ainda está na 8.ª série, mas já pensa no futuro.

Para Lucas Bertolazo Marques, 15, a proposta do Mec não parece ser interessante. “Acho que pode ficar um pouco confuso, com excesso de informações para o aluno”, analisa. Na prática, seria difícil administrar tanto conteúdo misturado. “Cria uma dificuldade tanto para o professor quanto para o estudante”, argumenta Jeanice.

Na opinião dessa turma, o vestibular atual é um sistema justo. “A gente tem que saber o conteúdo, não tem? Não é só questão de decoreba. É sobrecarregado, mas é o seu futuro que está em jogo”, dispara Thais Rubens, 16. Portanto, a nova proposta de usar o Enem como um novo vestiba não parece muito vantajosa e pode aumentar a distância entre as escolas públicas e particulares.

Semelhanças

Opinião semelhante têm Pauline Germano, 17, Filipe Lemos, 16, Henrique Kowalczuck e Carolina Maciel, ambos com 15, alunos do EM do Colégio Nossa Senhora de Sion. “O Enem é fácil, sempre foi decoreba. Acho muito pior, vai ficar mais fácil e muito mais chato que o vestibular”, critica Pauline. No entanto, eles não acham justo o sistema atual. “Você passa todo o fundamental e depois mais três anos do médio estudando para colocar tudo numa única prova”, desabafa Carolina. Para o grupo, avaliar o histórico escolar seria o critério mais justo.

Em relação a agrupar disciplinas, as opiniões se dividem. “Não é interessante, porque se você não entendeu uma matéria, se ferra em duas”, observa Henrique. “Mas por isso é bom, porque força você a estudar mais”, defende Pauline. Para eles, uma solução seria tornar o ensino fundamental multidisciplinar e o médio mais direcionado para as habilidades de cada estudante, como acontece nos EUA.

Filipe, por sua vez, tem uma sugestão mais ampla. “Acho que a educação no Brasil tem que ser melhor, a começar pela base”, reflete. “E com professores preparados e bem remunerados”, completa Carolina, que conclui: “Todos os países desenvolvidos começam investindo em educação.”

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