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USP muda curso de Obstetrícia e formados terão de voltar à universidade

 12/07/2010

 

USP muda curso de Obstetrícia e formados terão de voltar à universidade

10 de julho de 2010 | 0h 00

Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo

Alunos formados e já diplomados pela Universidade de São Paulo (USP) no curso de Obstetrícia terão de voltar aos bancos universitários por até mais um ano para complementar a formação necessária para o exercício da profissão.

 

A USP decidiu rever a graduação oferecida no câmpus da zona leste, chamado de Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), depois de identificar que os formados não conseguiam registro profissional nem aceitação no mercado.

Os cerca de 80 alunos que já concluíram o curso de Obstetrícia não têm encontrado emprego sequer nas redes públicas de saúde estadual e municipal. Por isso, toda a grade do curso foi alterada. Entre as principais mudanças, o curso terá aulas práticas e ampliação do número de disciplinas de enfermagem. Será, agora, de nove semestres, e terá uma carga horária maior (mais informações no quadro).

As alterações foram aprovadas pelo Conselho Universitário - instância máxima da instituição - no mês passado e já valem para o vestibular de 2011. Os atuais alunos, que se formariam neste ano, terão de cursar mais disciplinas e só completarão a graduação no ano que vem.

As mudanças ocorrem cinco anos após o surgimento dos cursos da USP Leste - e dois anos depois da formação da primeira turma, em 2008. Como não há entidade própria de classe, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) não aceitou registrar o profissional formado no curso. Por decisão judicial, o Coren foi obrigado a emitir certidão provisória, mas manteve ressalva de que ele só poderia trabalhar na área de obstetrícia. A medida não foi suficiente para que os profissionais fossem aceitos.

Tanto a direção da EACH como a pró-reitoria de graduação da universidade já haviam identificado as falhas na graduação que refletiam em dificuldades para seus ex-alunos. Para definir as mudanças, professores da EACH, da Escola de Enfermagem e do Instituto de Ciências Biomédica (ICB) formaram uma comissão encabeçada pela pró-reitora de graduação da USP, Telma Maria Tenório Zorn.

"A gente reconheceu que havia falhas", diz Telma. "Aproveitamos para reavaliar a grade e o problema de credenciamento junto ao Coren." Em menos de um mês, a comissão definiu a nova grade. "Fizemos seminários para discutir a reestruturação, com a participação de professores", afirma a coordenadora do curso, Nádia Zanon Narchi.

Mesmo com o aumento da carga-horária e do numero de disciplinas, ainda não há previsão de contratação de professores. Segundo Nádia, ainda não há necessidade de contratações. "Teremos de fazer, sim, um esforço concentrado, mas todo o corpo docente está disposto", diz. Professores do ICB também estarão envolvidos na graduação.

Credenciamento. O argumento que a USP sempre manteve sobre as graduações da USP Leste é de que a universidade tem de criar novos cursos e fazer suas próprias reflexões - prevalecendo a decisão dos conselhos estadual e nacional de educação, e não de conselhos profissionais. "O curso já atendia à demanda acadêmica e continua com o mesmo espírito", afirma o vice-diretor da USP Leste, Edson Leite.

A pró-reitora entende o mesmo, mas ressalta que as mudanças vieram para melhorar. "Com essas mudanças ganham todos, os alunos e a USP", diz Telma.

A USP já levou a nova grade do curso ao conselho de classe, que se comprometeu a registrar os profissionais. "Depois de todo um processo de desgaste, a universidade entendeu que tinha de fazer a revisão. A história da USP é muito rica para se permitir a isso", afirmou o presidente do Coren, Claudio Alves Porto. Segundo ele, os profissionais terão de terminar o curso dentro do novo modelo para ter o registro profissional.

Volta às aulas. Os ex-alunos poderão fazer a complementação a partir do ano que vem. A carga horário poderá ser feita em seis meses (se o aluno fizer aulas pela manhã e à tarde), ou em um ano. Os formados deverão fazer a complementação do curso nos próximos dois anos.

O curso foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação. O presidente da Câmara de Educação Superior do CEE, João Cardoso Palma Filho, defende que a aprovação foi correta. "O conselho faz a análise em função das diretrizes curriculares nacionais. Estabelece carga horária, competências e habilidades."

Os ex-alunos da USP serão contatados por e-mail ou por telefone. Eles deverão cursar as disciplinas nas mesmas turmas que os atuais alunos. 

 

 


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