Escolas Médicas do Brasil

A PEDIDO: Há algo de podre nos hospitais de ensino em Fortaleza

 18/07/2010

 

Há algo de podre nos hospitais de ensino em Fortaleza

 

Em 2007, Fortaleza viu luzir 150 novos médicos empunhando os canudos da batalha que venceram na ardorosa formação médica que encontraram na reconhecida Universidade Federal do Ceará. E isso ocorre, mudando ano e quantidade, há várias décadas. Nessa mesma capital, em 2008, no tradicional e hoje centenário Theatro José de Alencar, 39 iluminados entusiastas da medicina formavam-se médicos pela Universidade Estadual do Ceará, consagrando-se como a turma prima de tal curso. Por tradição e arrojo, os cursos de medicina da UFC e da UECE conquistaram espaço na rede hospitalar de ensino do Estado. Dividiram fraternalmente o espaço, não só por serem públicas, mas por ser possível tal compartilhamento. Compõem, em união, o conjunto de 190 aspirantes colando grau anualmente.

O sutil aumento observado no número de futuros médicos, frente a rede hospitalar até então farta para a educação médica fortalezense, fragmentou-se a pó, com o incremento de quase 120 alunos das faculdades particulares de medicina de Fortaleza, no internato. Número que crescerá em janeiro, com a duplicação do número de alunos de mesma origem nos nossos hospitais de referência. A rede que antes atendia tão bem os interesses da qualidade pela educação médica, agora sofre. Sofre pois desde que as faculdades particulares foram criadas, os leitos hospitalares não foram avisados que deveriam procriar. Sofre pois os alunos se submetem a situações vexatórias - e por enquanto, pontuais - de não haver paciente por contingente de estudante. Sofre pois deve erguer mais que o dobro de massa estudantil, sem ter se preparado minimamente para tamanho sobrepeso.

Uma solução viável é aplicar parte da generosa mensalidade paga as instituições particulares na melhoria, qualifação e ampliação da infra-estrutura, da organização administrativa e dos recursos humanos de hospitais aparentemente esquecidos (mas não pela população), gerando a necessária autonomia para a educação médica neles. Por que isso não é feito? Irrequieta, contorce-se a sensatez em seus agonizantes estertores. Espero que se recupere logo...

"Há algo de podre no reino da Dinamarca", escreveria Shakespeare, se esse estágio obrigatório - em regime de internato - fosse tal reino. Mas o desenrolar dessa tragédia anglo-dinamarquesa não é o que desejamos ver. Então não nos disfarcemos de loucos para melhor observar aonde se vai com esses descompassos. Tomemos atitudes dignas da história da medicina cearense. Em nome de desbravadores como Joaquim Eduardo de Alencar e de tantos outros, cobremos transparência e qualidade em tão importante prática, pois formaram-se nesses hospitais aqueles que atenderam você ou algum ente querido, sempre que necessitou. E para o futuro, o que vemos? Aqui convoco a classe médica cearense e seus aspirantes. Aqui convoco a sociedade cearense, em defesa da educação médica de qualidade para os nossos luzentes futuros médicos.

José Ernando de Sousa Filho
Acadêmico de Medicina - Universidade Estadual do Ceará
Coordenador de Educação Médica - Centro Acadêmico Joaquim Eduardo de Alencar

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Medicina 2014
Coordenador de Educação Médica -  Cajea
Vice-presidente -Liance
Centro de Ciências da Saúde
Universidade Estadual do Ceará
Fortaleza, CE - Brasil
85 86816920

Medicine Class of 2014
Health Sciences Center
Ceará State University
Fortaleza, CE - Brazil
+ 5585 86816920

 

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Este site está  atendendo a uma solicitação de um acadêmico de Medicina do Ceará, que assina a matéria. 

 


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