Escolas Médicas do Brasil

Meio milhão de médicos?

 23/06/2011

"Seguiremos firmes na defesa da carreira de Estado, da ampliação da Residência Médica e da qualificação dos cursos de Medicina."

 

 


Meio milhão de médicos?


Renato Azevedo Júnior

Presidente do Cremesp


P
ara o governo federal, o atual contingente de 370 mil médicos em atividade no Brasil é insuficiente para as necessidades do sistema de saúde. O país precisaria, então, de mais 120 mil médicos até atingir meio milhão de profissionais.

A meta divulgada não tem sustentação. Copiou-se a proporção de 2,5 médicos por mil habitantes, média de 30 países, principalmente europeus, que nada têm a ver com as dimensões do Brasil.

A cantilena, todos conhecemos: não há médicos em mais de 350 localidades remotas, não há médicos para ocupar as supostas 500 unidades de pronto atendimento (UPAs) prometidas em campanha, não há médicos para atuar na Estratégia de Saúde da Família, não há médicos nas periferias dos grandes centros etc.

Criou-se o falso dilema da escassez ou excesso de médicos no Brasil, com uma avaliação incompleta a partir de postos de trabalho não ocupados e da relação entre o número de médicos e habitantes. A inadequação da oferta pouco tem a ver com o quantitativo de médicos, mas com as desigualdades geográficas, as jornadas excessivas, os vínculos precários de emprego, os baixos salários, a ausência de carreira de Estado, as más condições de trabalho e até a falta de segurança.

Fazer crescer o número de médicos não é a solução. Prova disso vem da cidade de São Paulo, que concentra um médico para cada 230 habitantes e, mesmo assim, sofre com a falta de profissionais nos bairros periféricos.

O velho argumento é seguido das propostas equivocadas de abertura de mais escolas médicas, em um país que já conta com 181 cursos de medicina, muitos deles incapazes de formar bons médicos, de serviço civil voluntário para recém-formados ou de revalidação automática de diplomas estrangeiros.

O caminho proposto pelo Cremesp é o que mais interessa à saúde dos brasileiros. Seguiremos firmes na defesa da carreira de estado para os médicos do SUS, da ampliação da Residência Médica, da qualificação da graduação, contra a abertura indiscriminada de novas escolas, pelo fechamento dos cursos mal estruturados e avaliação externa dos egressos.

 


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