Escolas Médicas do Brasil

Cinco anos depois, UEPG tenta reabrir curso de Medicina

 19/04/2008

Ponta Grossa

Cinco anos depois, UEPG tenta reabrir curso de Medicina

18/04/2008 | 19:59 |

Maria Gizele da Silva, Gazeta do Povo - da sucursal de Ponta Grossa

Autorizado pelo então governador Jaime Lerner, em 2002, e suspenso pelo governador Roberto Requião, no ano seguinte, o curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) poderá ser reaberto a partir do ano que vem, conforme prevê a reitoria.

Um relatório feito por uma comissão de representantes da própria instituição e membros da Associação Médica Brasileira (AMB) local apontou a estrutura necessária e o planejamento pedagógico do curso. Depois de passar pela avaliação e arremates finais do reitor João Carlos Gomes, o estudo será entregue na primeira quinzena de maio ao governador Requião, que dará a palavra final sobre a reativação.

O curso funcionou por dois meses e meio com 40 alunos quando, em maio de 2003, um decreto estadual suspendeu as atividades e os estudantes tiveram que ser remanejados. O argumento usado pelo governador foi a falta de um hospital universitário e de orçamento para o funcionamento da faculdade, que demandaria R$ 14 milhões no período de cinco anos.

Sem revelar números, como os custos de manutenção e de profissionais a serem contratados, o presidente da comissão, Luciano Vargas, afirmou que o conteúdo do relatório está coerente com as orientações repassadas pelo professor José Ueleres Braga, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e consultor do Ministério da Educação (MEC), que visitou a instituição há 20 dias. “Ele ficou impressionado com a estrutura da universidade”, completa Vargas.

Para o reitor, os problemas de falta de estrutura no setor de saúde, que culminaram com o fechamento do curso há quase cinco anos, foram sanados, e a inexistência de um hospital será resolvida com a construção do Hospital Regional, cuja obra será entregue em agosto deste ano com custo aproximado de R$ 15 milhões.

O ex-presidente da AMB nacional, Antonio Celso Nassif, afirma que três pontos devem ser observados para a reabertura do curso: se há necessidade social, estrutura e currículo adequados e ainda um hospital atrelado em funcionamento. “Se a resposta for sim para todas as perguntas eu concordo com a reabertura”, afirma, observando que o número de faculdades já é suficiente.

No Brasil há 175 escolas, das quais nove estão no Paraná. A mais recente do Estado entrou em funcionamento em março deste ano em Cascavel, na Faculdade Assis Gurgacz (FAG), da rede privada, com 40 alunos que ainda não contam com hospital universitário.


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