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Tuberculose: Médico americano alerta para ameaça global

 20/03/2009



20 Março 2009 - 00h30

Saúde: Médico americano alerta para ameaça global

Multirresistência é “bomba-relógio”

Lee Reichman, director da Escola Médica de New Jersey, EUA, e um dos maiores especialistas mundiais da tuberculose, afirmou ontem que a tuberculose multirresistente é "uma bomba-relógio" prestes a explodir no Mundo.

O especialista, que falava em Lisboa no encontro internacional ‘Stop TB’, salientou que "Portugal, tal como outros países, não escapa a essa ameaça global".

"No século XVII, a tuberculose matava 20% dos adultos. Até hoje já matou 30 milhões de pessoas, o que faz com que esta doença seja a que mais mortos fez em toda a História. Por ano são 1,7 milhões de vítimas mortais."

Lee Reichman aproveitou para criticar os governantes de todo o Mundo: "Podemos erradicar a doença, mas parece que ninguém se preocupa com isso."

Reichman alertou ainda para a falta de investimento na luta contra a tuberculose. "Preferem gastar muito dinheiro a investigar outras doenças que não são tão mortais", apontando a gripe das aves e a BSE.

Em declarações ao CM, Reichman considerou "que os laboratórios farmacêuticos não fazem investigação porque o investimento não é lucrativo".

SAMPAIO EXIGE MAIS PRESSÃO

Jorge Sampaio, enviado Especial das Nações Unidas para a Luta Contra a Tuberculose, alertou, no encontro, para o facto de a incidência da doença estar a piorar à "medida que a complacência e a falta de financiamento alimentam a doença e a difusão da resistência aos medicamentos". Pior ainda, a tuberculose multirresistente (MDR), uma forma de tuberculose resistente aos dois principais medicamentos antibacilares, "está a sofrer um agravamento e surgem todos os anos cerca de 500 mil novos casos multirresistentes". Por tudo isso, considerou que "não é possível ficarmos de braços cruzados", é preciso sensibilizar opiniões públicas para que "exerçam pressão junto dos decisores em matéria de saúde pública".

MINISTRO PEDE AOS MÉDICOS MAIS ATENÇÃO

A ministra da Saúde, Ana Jorge, recordou ontem que a toma directa da medicação – entregue por um profissional ao doente numa unidade de saúde para que este a tome na sua presença – foi introduzida em Portugal há 30 anos e é considerada a forma mais eficaz na luta contra a tuberculose. Apesar disso, o sistema ainda não funciona plenamente. A crítica é apontada por Ana Jorge: "Passados estes anos ainda é um problema no País que os doentes façam a toma directa." Apelou, por isso, aos "profissionais [médicos] para que falem a mesma linguagem e pediu para que estejam atentos a eventuais casos de tuberculose nos Serviços de Urgência e nos centros de saúde", onde podem passar sem ser detectados.

MENSAGEM

"INFORMAÇÃO E PREVENÇÃO" (Luís Figo, Embaixador para a luta contra a tuberculose)

No Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose e na qualidade de embaixador desta Causa, gostaria de deixar uma mensagem de esperança, mas também de alerta para os perigos deste flagelo que pode atingir cada um de nós.

A tuberculose é uma doença infecciosa, mas que se pode prevenir e curar.

Todos os anos, em todo o Mundo, estima-se que mais de nove milhões de pessoas contraiam esta doença e cerca de 1,7 milhões acabem por morrer.

A Organização Mundial de Saúde desempenha um importantíssimo trabalho no que diz respeito aos problemas de saúde pública e epidemias mundiais e, neste contexto, a Fundação a que presido, a Fundação Luís Figo, associou-se a esta Organização no apelo e alerta para os perigos da tuberculose.

Integrado na campanha a decorrer a nível mundial, está o livro de banda desenhada ‘Luís Figo e a Taça Mundial Contra a Tuberculose’. O livro transmite conselhos e mensagens, simples e claras, sobre a necessidade e importância de todos – e em especial as crianças e jovens – adoptarem comportamentos e regras de higiene e saúde que previnam a contracção do vírus da tuberculose.

Por ser um problema à escala mundial, o livro está editado em oito línguas.

A informação é o melhor meio de prevenção e é com esse propósito que espero e desejo que esta campanha contribua da melhor forma para o combate a esta luta que deve ser de todos nós!

APONTAMENTOS

DIAGNÓSTICO LENTO

Um diagnóstico leva, no máximo, 80 dias a dar resultado. Durante período, o doente pode contagiar outros.

CONTÁGIO GLOBAL

Todos os anos surgem 511 mil casos de multirresistência, a maioria os quais na Índia, China, países da ex-URSS e África do Sul.

NOVOS TRATAMENTOS

Especialistas pedem novos medicamentos e vacinas


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