Escolas Médicas do Brasil

PE: Projeto torna concessão de diploma mais rigorosa

 19/05/2009

 

Projeto torna concessão de diploma mais rigorosa

 

Ampliar o debate sobre a implantação de um exame como condição para que o estudante de Medicina exerça a atividade profissional motivou a audiência pública realizada, ontem, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PE). A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa promoveu o encontro conjuntamente com a OAB, por solicitação do deputado federal Edgar Moury (PMDB/PE).

O parlamentar é o relator, na Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara Federal, do Projeto de Lei nº 650/2007, de autoria do deputado federal Ribamar Alves (PSB/MA), prevendo a seleção para que o futuro médico receba o registro no Conselho Regional de Medicina, assim como faz a OAB com os advogados.

“É um assunto que interessa a toda a sociedade, pois o ensino da Medicina deixa muito a desejar no Brasil. Vemos acidentes em todas as áreas, contudo, no exercício da atividade médica é mais grave, porque o profissional está lidando com vidas humanas”, argumentou Moury, que disse ser favorável à proposição, mas pretende realizar nova audiência, em Brasília, a fim de ouvir outros profissionais.

O encontro reuniu representantes de várias instituições ligadas ao setor como o Sindicato dos Médicos de Pernambuco, a Associação Brasileira de Educação Médica, os Diretórios Acadêmicos de instituições de ensino, entre outros. Os participantes foram unânimes em afirmar que o número de cursos de Medicina no País supera as necessidades sociais e que a qualidade do ensino deve ser melhorada.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremepe), André Longo, não é favorável ao exame. Ele acredita que deve haver melhoria no ensino e rigor na concessão de registro para novas faculdades. “Somos o segundo País do mundo em número de cursos de Medicina, perdemos apenas para a China. Não precisamos de mais escolas, mas de melhores cursos. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) negligenciou, nos últimos anos, a abertura de novas faculdades pelo País. Muitas não têm hospitais de ensino, assim, o aluno não pode responder sozinho pela situação”, opinou.

A presidente da Comissão de Cidadania Direitos Humanos do Parlamento Estadual, deputada Terezinha Nunes (PSDB), sugeriu que a residência médica passe a ser obrigatória para todos os alunos, antes de terminar o curso. “Com a participação da iniciativa privada na área educacional, notamos a proliferação de faculdades.

Muitas chegam a cobrar cerca R$ 3 mil por mês e não oferecem condições de aprendizado prático. A sociedade espera que os médicos se formem após estarem aptos a atender à sociedade e, para isso, a experiência é fundamental”, observou.


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