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Indenizações a anistiados são absurdas

 12/04/2008

 

A nota abaixo está no site www.claudiohumberto.com.br
Data/hora: 10/04/2008 10:34:45

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Doyle acha absurdas indenizações a anistiados

 

O jornalista Hélio Doyle (foto), que é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, subscreveu o documento que circula na internet em repúdio às indenizações de R$ 1,2 milhão para Ziraldo e R$ 1,02 milhão para Jaguar, fundadores do semanário Pasquim, que alegaram terem sido perseguidos pela ditadura. Os demais fundadores do jornal, como Millôr Fernandes, recusaram a mamata. "Entramos na briga por opção política e pessoal, assumindo os riscos", afirma Doyle, que considera tudo isso "realmente vergonhoso".

Para o jornalista, cuja trajetória se confunde com a história recente da esquerda brasileira, acha justas as indenizações, "mas por valores bem inferiores a esses que estão sendo pagos", àqueles que perderam seus empregos ou ficaram impossibilitados de trabalhar em decorrência de atos arbitrários da ditadura - ou que foram incapacitados para o trabalho em decorrência de torturas e violências. Perseguido por sua militância de esquerda e certa vez demitido "por motivos políticos" da TV Globo, Hélio Doyle acha que não se enquadra nesses casos, por isso jamais pensou em pedir indenização. "Minhas cinco prisões não impediram que continuasse a trabalhar" - lembra - "Não recebia credencial para cobrir Planalto, Itamaraty ou ministérios militares, mas cobri o Congresso e outros ministérios e isso não prejudicou minha carreira."

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To:  Ministério da Justiça


Repúdio às imorais indenizações de Ziraldo e Jaguar


“Então eles não estavam fazendo uma
rebelião, mas um investimento."

Millôr Fernandes


Exmo. Sr.
Tarso Genro
Ministro da Justiça
Brasília – DF

Excelência,

Repudiamos a decisão imoral da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que - de forma afrontosa, absurda e injustificável - premiou a título de “indenização” os cartunistas Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o “Jaguar”, fundadores de “O Pasquim”, com acintosas e indecentes “indenizações”.

Sem desconhecer ou negar os méritos do extinto jornal e sua corajosa participação na luta contra o regime implantado pelo golpe de 1964, não se pode, de forma alguma, aceitar esse equívoco lamentável do Ministério da Justiça, que nos custará a bagatela de R$ 1.253.000,24 (hum milhão duzentos e cinqüenta e sete mil reais e vinte e quatro centavos) para Ziraldo, e outros R$ 1.027.383,29 (hum milhão vinte e sete mil trezentos e oitenta e três reais e vinte e nove centavos) para Jaguar, além de polpudas pensões mensais e vitalícias. Isso tudo à custa de nosso trabalho, raspado de nossos bolsos, em decisão que enxovalha o Estado de Direito e a seriedade no trato dos dinheiros públicos.

Há que se registrar a cupidez vergonhosa de dois jornalistas do nível de Ziraldo e Jaguar, que encerram suas vidas profissionais desenhando em tinta marrom a charge da desmoralização de suas lutas e da degradação moral de suas biografias. Transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica. Receberam, por décadas, o nosso aplaudo sincero. Agora, por dinheiro, escarnecem de toda a cidadania, chocada e atônita com a revelação de suas verdadeiras personalidades e intenções.

Com a ditadura sofreram todos os brasileiros. Por isso não encaramos como negócio lucrativo, prebendário e vergonhoso o que se fez por idealismo, honradez e dever. A ditadura não só não provocou danos terríveis a Ziraldo e Jaguar, como agora o enriquece e os torna milionários à custa de um país de miseráveis e doentes.

Aplaudimos os demais jornalistas que fizeram o saudoso semanário pela decisão de não acompanharem Ziraldo e Jaguar nessa pilhagem, roubando dos brasileiros o dinheiro que deveria (e poderia) estar sendo utilizado na construção de hospitais, num país de doentes; de escolas, num país de analfabetos; na geração de empregos, num país de desempregados.

Que se degradem, que se desmoralizem, que se mostrem publicamente de uma forma que jamais poderíamos esperar. Mas não à custa de nossos bolsos, surrupiando o dinheiro suado de milhões de brasileiros que sofreram com o regime de exceção, mas nem por isso se acham no direito de “ganhar na loteria”.

Exigimos mais critério, seriedade e parcimônia na concessão de tais indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Para que se evitem espetáculos bisonhos como o que assistimos.

Ruy Nogueira Netto





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