Escolas Médicas do Brasil

Indicação prevalece na escola das faculdades

 30/08/2008

Na hora da escolha pela instituição de ensino, um dos poucos parâmetros com que o vestibulando pode contar é o Conceito Preliminar de Curso (CPC), do Ministério da Educação. A nota é usada pelo governo federal como referência para a concessão ou renovação de licenças de funcionamento de cursos.

Educadores e alunos, no entanto, apontam os resultados como insatisfatórios, por causa de falhas no processo avaliativo. Boicote dos universitários ao Enade e a falta de visitação de técnicos do MEC aos cursos com boas notas comprometeriam os resultados. “A reação política dos alunos acaba mascarando a nota. Mas esta não é a única opção do aluno para a escolha”, lembra a vice-diretora da Faculdade de Educação, Iracy Picanço.

Para muitos estudantes, a tradição da instituição e a opinião de colegas e amigos é que fazem a diferença. “Nem penso em Enade. O que vale mesmo é a indicação de pessoas que estudam lá”, diz o estudante Pedro Moreno, 20 anos. “O que vale mesmo é o boca a boca”, completa a colega de cursinho pré-vestibular, Vanessa Lopes, 18 anos, que visa uma vaga no curso de engenharia civil.

Edmundo Silva, professor de química em cursinhos da cidade e com 29 anos de experiência, atesta que os vestibulandos não ligam para as avaliações do MEC na escolha do curso. “A tradição é um dos fatores mais importantes. E quase todos querem universidade pública, por ser gratuita e ter status de qualidade”, diz.

AVALIAÇÃO – Além do resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o CPC considera no seu cálculo o IDD (comparação da nota do Enade de calouros e formandos); a opinião dos alunos sobre o projeto pedagógico; a infra-estrutura; o percentual de professores-doutores e o percentual de docentes que trabalham em regime integral.

A última avaliação, de 2007, foi feita com cursos da área de Saúde, Agrária e Serviço Social.  Como o MEC divide os cursos em três grandes grupos e faz um exame anualmente, cada curso é avaliado a cada três anos. Os resultados foram, como sempre, polêmicos. O que mais chamou a atenção foi o curso de medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com nota inicial 2 no Enade – o conceito varia de 1 a 5 . Depois, considerando outros fatores, subiu para 3.

“O Enade é apenas o indicador que há problemas, mas não pode servir de parâmetro absoluto”, avalia o vice-reitor de graduação da Ufba, Maerbal Marinho. Segundo o MEC, no total, 25% dos alunos de medicina entregaram a prova em branco, o que colaborou com os baixos resultados.

Equívocos – Representante estudantil no Conselho Universitário da Ufba, Emanuel Freire considera que o Enade tem vários equívocos, como “o contéudo superficial da prova” e o caráter punitivo a que os estudantes são impostos. “Como a realização do teste é obrigatória, tira o caráter espontâneo e o rigor avaliativo, já que a nota não importa ao estudante de forma direta”, explica Emanuel.

Outro detalhe criticado pelo estudante é o próprio sistema de ranking das faculdades. “É uma lógica de mercado, que pode ser adulterada. As faculdades estimulam seus melhores alunos a fazer só para conseguir a nota”, lembra Freire.

Seis cursos tiraram nota 4 no Conceito Preliminar de Curso (CPC) e são os melhores avaliados na Bahia pelo MEC, três deles da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC): educação física, enfermagem e medicina, todos com a nota 4, a maior do estado. Os outros são odontologia, da Ufba; enfermagem, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e Farmácia, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).

O curso de enfermagem da Faculdade Jorge Amado ficou entre os 11 com a nota mais baixa no Enade: 1. Os próprios alunos admitiram que a adesão ao boicote  prejudicou o resultado da instituição. “O Enade avalia a atitude do aluno e não o curso em si”, pondera a representante do Diretório Acadêmico do curso, Bárbara Cardoso.


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