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Curso de medicina: o que falta para a UEPG?

 08/10/2008

 

Vestibular

Quarta-feira, 08/10/2008

Henry Milleo/Gazeta do Povo    Publicado em 06/10/2008 | Edson Gil Santos Jr., da sucursal

Henry Milleo/Gazeta do Povo / Sem o Hospital Regional em plenas condições de funcionamento, não há como iniciar as aulas do curso de Medicina da UEPG. Sem o Hospital Regional em plenas condições de funcionamento, não há como iniciar as aulas do curso de Medicina da UEPG.

O que falta para a UEPG?

Curso começa em agosto de 2009, com vestibular já no fim deste ano; principais preocupações são obras, corpo docente e grade curricular do primeiro ano

Após seis longos anos de espera, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), nos Campos Gerais, oferece novamente em seu vestibular vagas para o curso de Medicina. Com a retomada da graduação, passam a existir dez faculdades habilitadas no Paraná, cinco delas públicas. Mas o curso terá a infra-estrutura e pessoal adequados? Segundo o vice-reitor da UEPG, Luciano Vargas, o curso de Medicina agora é uma realidade e todos os requisitos do governo estadual foram cumpridos para não haver o perigo de outra suspensão.

Antônio Celso Nunes Nassif, membro da Comissão de Ensino Médico do Ministério da Educação (MEC), comenta que três fatores são importantes para o curso de Medicina da UEPG: o primeiro é a verba, pois este é um curso caro e que exige despesas com infra-estrutura e equipamentos; outro fator são professores qualificados – 80% deles precisam ter no mínimo mestrado, mas a preferência, logicamente, é por uma quantia expressiva de doutores; e terceiro, um hospital-escola pronto para quando os acadêmicos começarem a passar pelas disciplinas práticas. Nassif alega que no segundo ano os alunos já devem ter contato com as matérias práticas; por isso, o Hospital Regional não pode estar apenas inaugurado, mas em funcionamento no máximo em 2010.

Sem medo de nova suspensão

Os vestibulandos Maria Fernanda Gauer e Luis Henrique Wagner, ambos de 17 anos, não acreditam que o curso possa ser suspenso novamente pelo governo. Wagner se inscreveu no Processo Seletivo Seriado (PSS) em Medicina, mas ainda não tem certeza se prestará vestibular para o curso. Maria Fernanda pensa diferente: aprovada em 5º lugar no vestibular de inverno deste ano da UEPG, em Odontologia, ela quer seguir a área de saúde, de preferência Medicina. Para ela, o que importa é passar no vestibular, e caso haja outra suspensão do curso, não se incomoda em ser transferida para outra universidade.

Michella Przybycien, formada em Biologia pela UEPG, foi a única acadêmica de Medicina que se recusou a ser transferida de universidade na suspensão de 2003, sem desistir do concurso vestibular que fez. Na época, 16 acadêmicos foram transferidos para a UEL, 10 para a UEM e 7 para a Unioeste. Atualmente, Michella mora em Rondônia e trabalha como professora. “Após a decepção, só agora refiz minha vida, mas pretendo voltar para Ponta Grossa e fazer Medicina em 2009”, comenta. Luciano Vargas, vice-reitor da UEPG, diz que ela protocolou em 2003 um documento em que não abria mão da vaga. Como Michella demonstrou interesse, Vargas acredita que deva ser ofertada uma 41ª vaga para ela. (EGSJr)

Pensando nisso, a UEPG ainda tem muito a fazer para acolher os futuros acadêmicos no ano que vem. A infra-estrutura do curso contará com uma área de 700 metros quadrados construída até agosto de 2009 (quando começam as aulas), com centro de convivência, área de serviço, um anfiteatro, sala de professores, local para o Departamento de Medicina e quatro salas de aula. Os laboratórios de Anatomia, Informática e Patologia serão readequados e reformados para Medicina, mas serão usados com outros cursos da área da saúde. Serão construídos os laboratórios de Habilidades, Técnicas de Cirurgias Clínicas e Morfofuncional.

Segundo Vargas, o acadêmico de Medicina encontrará praticamente tudo novo: se não recém-construído, pelo menos reformado. Também será possível aproveitar investimentos feitos em 2003 pelo estado, como microscópios, que estão novos e ainda esperam para ser usados pelos futuros médicos. Para o ano que vem está aprovado o uso de cerca de R$ 1,2 milhão para construções, reformas e equipamentos. Outros R$ 520 mil serão destinados à compra de materiais como reagentes químicos e outras necessidades do curso em 2009.

Ainda estão sendo discutidos detalhes no setor de Saúde da instituição sobre a grade curricular e o projeto pedagógico de Medicina, mas Vargas garante que não haverá muitas alterações em relação ao que foi aprovado pelo governo do estado. “Temos mais pressa em definir a grade com a carga horária do primeiro ano, que está prestes a começar; do segundo ano em diante, podemos aprimorar com o curso já em andamento”, comenta.

Vargas explica que os aprovados no vestibular para Medicina começarão o curso apenas no segundo semestre de 2009, ao contrário dos outros cursos da instituição. A causa, segundo ele, não é o cronograma de obras, e sim a contratação dos professores, pois o concurso será realizado apenas em 2009. Além disso, o curso terá uma grade diferente dos outros, com mais semanas de aula. O vice-reitor relata ainda que, pela recomendação do governo do estado, as aulas só começarão quando o Hospital Regional estiver pronto.

A UEPG espera uma grande procura, como no vestibular de 2002, em que Medicina foi o curso de maior concorrência, com 946 candidatos disputando 20 vagas – relação de 47,3 candidatos por vaga. Naquela ocasião, praticamente um em cada 10 vestibulandos concorria a uma vaga em Medicina.

Serviço

As inscrições para o vestibular da UEPG começaram em 27 de setembro e vão até 31 de outubro; nesse vestibular serão ofertadas todas as 40 vagas do curso de Medicina.


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