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Universidades mudam interior do Ceará

 12/04/2009

 

Educação

Universidades mudam interior do Ceará

As cidades do Interior vivem um processo de mudança, que é crescente. A chegada das faculdades e universidades tem transformado o cotidiano de quem vive nesses municípios

Daniela Nogueira
enviada a Sobral, Cariri e Aracati
06 Abr 2009 - 00h32min


Em Aracati, a chegada da Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ) transformou o dia-a-dia até de comerciantes da cidade (Foto: Evilázio Bezerra)
O ensino superior deixou de ser um privilégio da Capital. Faculdades e universidades têm chegado ao Interior e uma série de mudanças tem mexido com o cotidiano das cidades. Lojas de eletrodomésticos, supermercados e perfumarias, que antes só existiam na Capital, começaram a aparecer. A vida noturna ficou mais agitada, com a abertura de boates. Para se ter uma ideia, dos 184 municípios do Ceará, 30 já têm sede de alguma instituição pública ou privada de ensino superior. E um ponto interessante: em muitas das cidades, há mais de uma dessas instituições. Os dados são do Ministério da Educação (MEC).

Sobral, na Zona Norte do Estado, já é considerada uma cidade universitária. Foi para lá onde se estendeu o primeiro braço da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Interior. O curso de Medicina chegou em 2001 e, cinco anos depois, a cidade recebia um campus da UFC, com mais cinco cursos. A instituição somou-se à Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), que já existia na região, e a mais outras instituições particulares. “Até 2000, a Universidade Federal do Ceará era a Universidade Federal de Fortaleza”, diz o professor Vicente Pinto, do curso de Medicina em Sobral, satisfeito com a expansão.

A interiorização também chegou ao Cariri, para onde foi mais um campi da UFC. Barbalha foi a primeira cidade da região a receber um curso, também de Medicina, em 2001. Hoje, há mais quatro em Juazeiro do Norte e um, semestre que vem, vai para o Crato. E um aspecto é inegável: a abertura de mais cursos no Interior faz com que mais gente passe a morar nas cidades. Boa parte da mão-de-obra qualificada para trabalhar nas instituições tem de ser importada. Resultado - muita gente vai, gosta e fica. “A qualidade de vida no Interior é outra, bem melhor. Vim embora com a minha família e não quero mais voltar para Fortaleza”, conta a professora Ariluci Goes, do curso de Biblioteconomia do campus Cariri, da UFC.

Em Quixadá, no Sertão Central, uma comerciante está construindo um prédio de apartamentos pensando nos universitários. Com 18 quartos, dá para duas pessoas cada. Tem garagem e dois banheiros. A localização é estratégica: fica a cinco quarteirões da Faculdade Católica Rainha do Sertão. “Dá para ir a pé”, diz a proprietária, Altanir Lopes de Carvalho. A previsão é de que fique tudo pronto em dois meses. A lista de espera tem mais de 30 pessoas. Altanir Lopes planejou, sobretudo, o preço para alugar: R$ 350 para duas pessoas. “A faculdade nos trouxe benefício. Muita gente vem morar aqui para estudar”, conclui. Além dos alunos e funcionários da Faculdade Católica, o prédio deve receber também o público da UFC, que já tem campus na cidade, e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifet).

Quem também planejou lucro a partir da chegada da educação superior foi o ramo de alimentação. Em Sobral, são três casas de sushi só na avenida Dr. Guarany, via central da cidade. Em Aracati, um outro restaurante abriu filial em frente ao campus da Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ), a única instituição de ensino superior na cidade. “Grande parte dos nossos clientes é da faculdade. No comecinho da noite, lota. Muita gente vem lanchar”, conta a funcionária Gabriele Moreira. É justamente no período da noite em que há aulas na FVJ. É como resume o professor Gerardo Cristino Filho, de Sobral: “As universidades e as faculdades induzem o desenvolvimento de qualquer região”.

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