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MEC marca supervestibular para outubro

 12/04/2009

 

MEC marca supervestibular para outubro

Pedro Rocha Franco - Estado de Minas
Jair Amaral/EM/D.A Press
Candidata a uma vaga em medicina, a estudante Luciana Angrisano acha vai poder conhecer outras opções de graduação em Minas

O novo processo seletivo unificado para ingresso nas universidades federais de todo o país tem data marcada. O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem o cronograma de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as datas para seleção dos cursos nas unidades que aderirem à nova metodologia. Os exames estão marcados para 3 e 4 de outubro. Na semana que vem, em Brasília, está agendada reunião entre os reitores das 55 instituições federais de ensino superior (Ifes) e representantes do governo federal para definir os últimos detalhes do concurso. Em Minas Gerais, há 11 universidades federais. Em nota, o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Ronaldo Tadêu Penna, informa que a decisão na UFMG tem de ser tomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepex), mas dificilmente o novo modelo será implantado este ano.

Por enquanto, a principal medida estabelecida pelo MEC é a extinção do vestibular segundo os antigos parâmetros e a adoção da prova do Enem como método de avaliação para ingresso na graduação. No exame, deve predominar a capacidade crítica e analítica dos estudantes em detrimento dos atuais modelos que valorizam a memorização. As tradicionais provas de física, química, biologia, história e geografia serão substituídas por cinco exames: linguagens e códigos, ciências humanas e ciências da natureza, além de matemática e redação. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, a seleção pelo novo Enem permitirá reformular os conteúdos ensinados nas salas de aula do ensino médio, hoje, basicamente, pautados pelas provas dos vestibulares. “O novo formato combinará a forma de abordagem do atual Enem com a abrangência dos conteúdos cobrados pelo vestibular”, explicou.

O resultado das provas deve ser divulgado em 8 de janeiro de 2010 e, três dias depois, o MEC deve abrir um sistema na internet para os candidatos selecionarem os cursos. Até cinco opções podem ser marcadas. De acordo com o termo de referência “Novo Enem e sistema de seleção unificada”, encaminhado na noite de quarta-feira aos reitores das Ifes, os estudantes terão cinco oportunidades: poderão se inscrever em cinco cursos da mesma instituição, no mesmo curso em cinco unidades diferentes ou em cursos distintos também em faculdades distintas.

Durante duas semanas o sistema continua aberto e o candidato pode trocar as opções quantas vezes quiser, de acordo com sua nota no exame e a possibilidade de aprovação no curso escolhido. Diariamente, será feita simulação das posições em comparação com as notas de todos os concorrentes. A nota de corte será determinada pela concorrência entre os alunos. Ou seja, se mais alunos com notas altas concorrerem a um determinado curso, a nota de corte será mais alta. O processo é semelhante ao usado para a concessão de bolsas no Programa Universidade para Todos (ProUni), no qual o candidato pode alterar a escolha da instituição particular de acordo com as ofertas disponíveis. “O processo seletivo que estamos propondo é dinâmico. Se durante as inscrições o aluno perceber que sua nota não é mais suficiente para entrar no curso escolhido, ele pode migrar para outro”, enfatizou Haddad.

Na nota no site da UFMG, o reitor Ronaldo Tadêu Penna se mostrou relutante em aderir ao programa, apesar de a decisão ter de ser analisada e definida pelo Cepex. “Imagino que, pelo menos este ano, a UFMG não será afetada, portanto as mudanças não atingirão o Vestibular 2010. Uma mudança deve ser feita com muito cuidado, porque são 70 mil candidatos que tentam o vestibular. No início de junho, o edital do concurso tem que ser publicado. Restaria à universidade apenas um mês e meio para resolver e publicar tudo”, disse.

Uma das preocupações do reitor é a possibilidade de migração de estudantes de áreas mais concentradas, mais ricas, para áreas mais pobres, onde o índice de educação é desfavorável. Segundo Penna, essa mobilidade pode, sim, existir e até ser positiva, porém, uma mobilidade predatória de vagas é negativa. "Essa é uma das questões que me preocupam especialmente, porque hoje a UFMG adota o modelo de seleção em que o candidato faz a opção pelo curso antes da seleção. A ideia de aproveitar o Enem só deve ser praticada pela UFMG se a definição pelo curso permanecesse sendo feita antes. Isso é necessário, pois cursos menos procurados, com médias naturalmente mais baixas, passariam a ser ocupados pelos excedentes dos cursos mais procurados. Com a nota em mãos o candidato pode ver em que opção conseguiria ser aprovado, acabando por ocupar a vaga de uma pessoa que realmente tinha vocação para o curso", explica.

Método

O esclarecimento, aos poucos, das novas regras para o vestibular das federais chama a atenção dos candidatos, que planejam mudar o método de estudos. A estudante Luciana Angrisano, de 18 anos, vê como uma oportunidade tentar a seleção em várias faculdades, sem ter de optar por uma instituição em detrimento da outra. No último ano, ela tentou aprovação em três unidades diferentes: nas federais de Minas Gerais (UFMG), Viçosa (UFV) e do Mato Grosso do Sul (UFMS). “Tentei medicina em Campo Grande, no ano passado, e precisei viajar mais de 24 horas para fazer a prova. Se coincidem as datas, tem que se escolher uma”, diz.

Outra opção criada com o novo vestibular também vai ajudar Luciana. Além de medicina, a jovem já tentou química e engenharias de produção e civil e, neste ano, pretende tentar administração. Sem a certeza de qual área cursar, ela pode se inscrever em vários cursos. “Devo tentar só UFMG e aproveitar para conhecer os cursos criados este ano, uma vez que posso optar por até cinco. A lógica do novo vestibular é mais fácil, mas estou acostumada ao método antigo, o que poderia me dar vantagem em relação aos demais concorrentes”, afirma.

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